Tráfego no Hormuz reduz após EUA ameaçarem isolar economicamente o Irã
O tráfego de navios pelo Estreito de Hormuz está quase parado hoje após novos ataques na rota e a ameaça dos EUA de isolar o Irã economicamente "como o mundo nunca viu".
Dois navios atravessaram o estreito nesta sexta, de acordo com análise da empresa de rastreamento Kpler. Os dados indicaram a passagem de um cargueiro de grãos entrando em águas iranianas e de um graneleiro vazio no sentido contrário.
Não havia embarques visíveis de petróleo bruto na via marítima, ainda segundo a Kpler. Um navio-tanque vazio de produtos de petróleo liquefeitos também aparecia navegando para entrar no Golfo pelo estreito.
Na quinta-feira, nove embarcações passaram pelo Estreito, acima das cinco registradas na quarta, mas abaixo da média de 12 em agosto. Mesmo com a possibilidade de travessias sem detecção por rastreadores desligados, o volume segue muito distante das mais de 130 embarcações por dia antes da guerra iniciada por EUA e Israel contra o Irã em fevereiro.
Dois navios da Abu Dhabi National Oil Company, dos Emirados Árabes Unidos, foram atacados ao transitar pelo estreito na noite de ontem. O governo dos Emirados atribuiu a ação ao Irã, que não comentou imediatamente.
Analistas apontam que a restrição à navegação virou peça central na disputa. "Além da ameaça à infraestrutura de energia na região, a capacidade do Irã de restringir a navegação pelo estreito é sua principal fonte de influência nas negociações", disse Torbjorn Solvedt, principal analista de Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas têm capacidade de sustentar a presença naval na região para impor o bloqueio. "Indefinidamente, a Marinha dos Estados Unidos pode manter um bloqueio como esse porque faremos um rodízio de navios, como temos feito, e continuaremos a fazer", disse ele a repórteres durante viagem ao Panamá.
Já o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, indicou que novas medidas econômicas contra Teerã devem ser anunciadas na próxima semana. "Será uma combinação de isolamento econômico, como o mundo nunca viu", declarou Bessent ao canal de televisão conservador Newsmax, sem revelar mais detalhes.
O tom mudou em questão de dias. Em 4 de agosto, o próprio Bessent mencionou um possível acordo com Teerã "hoje ou amanhã" para reabrir a passagem estratégica para o comércio mundial de combustíveis. "Temos conversas muito boas", afirmou naquele mesmo dia o presidente Donald Trump, ao assegurar que o Irã queria alcançar um acordo.
Autoridades iranianas disseram nesta semana que as conversas mediadas para reativar o acordo provisório não avançaram. "Uma das questões que está sendo discutida por meio de mediadores é o retorno dos EUA ao acordo provisório e a definição de um cronograma para a implementação dos compromissos. Não houve absolutamente nenhum progresso nessa questão", afirmou uma fonte iraniana à Reuters.
Washington e Teerã trocam acusações sobre o cumprimento do que foi combinado para reabrir o Estreito de Hormuz.
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