Investigado em esquema de peças sacou R$ 10 milhões em caixas eletrônicos
Um empresário da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai sacou pelo menos R$ 10 milhões em caixas eletrônicos no período entre 2018 e 2023.
Ele é um dos alvos da Operação Peça-Chave, deflagrada nesta quinta-feira (27) pela Polícia Federal e pela Receita Federal para desarticular organização criminosa que atua na aquisição e comercialização de peças automotivas estrangeiras introduzidas irregularmente no Brasil.
As equipes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário em Ponta Porã, a 313 km de Campo Grande.
As investigações conduzidas pela Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã também identificaram que, além dos saques de dinheiro em espécie, o empresário fez diversas transferências bancárias para um sobrinho e para uma mulher, residente na mesma cidade.
O sobrinho também foi alvo dos mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira.
Ele é comerciante, tem 47 anos e de maio de 2023 a julho de 2024 trabalhou como secretário parlamentar, nomeado em Brasília (DF).
De acordo com a Polícia Federal, o empresário e o sobrinho atuam como operadores do esquema.
Grandes carregamentos de peças, principalmente para veículos de marcas como BMW, Mercedes-Benz e Smart, eram importados até o Paraguai e de lá trazidos para o Brasil sem o recolhimento de tributos alfandegários obrigatórios.
A principal porta de entrada no território brasileiro é Ponta Porã, de onde as peças eram transportadas por via terrestre até o estado de São Paulo e vendidas em autopeças na capital paulista, em Santo André (SP) e em São Bernardo do Campo (SP).
Esses estabelecimentos foram alvos das buscas na operação de hoje (veja o vídeo acima).
Os produtos clandestinos eram comercializados nas lojas da organização como peças legais, só que bem mais baratas do que as da concorrência, já que foram importadas sem recolhimento de impostos.
Conforme a Polícia Federal e a Receita Federal, a artimanha permitia lucro exorbitante para os integrantes da organização.
Os envolvidos movimentaram pelo menos R$ 146 milhões entre 2018 e 2023, sem comprovação capaz de justificar a origem e a destinação do dinheiro.
As investigações também identificaram movimentações financeiras atípicas e saques elevados em espécie em agências bancárias da fronteira.
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