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Esquema na SAF: Desvios milionários e crise conjugal abalam bastidores do Juventus

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Esquema na SAF: Desvios milionários e crise conjugal abalam bastidores do Juventus

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo investiga um esquema de desvios milionários, traição conjugal e intimidações no Clube Atlético Juventus, tradicional instituição da capital paulista com mais de 100 anos de história. A trama envolve o presidente do clube, Tadeu Deradeli, o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Eduardo Gomes Pedroso, e um casal de advogados.

A crise ganhou desdobramentos policiais após o ingresso de verbas no clube, vindas da assinatura da SAF, há dez meses, e da locação da sede social por 20 anos para uma escola bilíngue. A investigação apura se dirigentes utilizaram o cargo para embolsar quantias das negociações, em um processo conduzido pela Corregedoria porque Carlos Eduardo é escrivão de polícia.

As apurações contam com depoimentos, planilhas e comprovantes bancários entregues pelo advogado Guilherme Rodrigues, ex-companheiro da advogada Luma Zaffarani. Guilherme admitiu participação no esquema até março de 2026, quando rompeu o relacionamento de uma década ao descobrir que Luma mantinha um caso extraconjugal com o presidente do Conselho Deliberativo.

O estopim do término ocorreu após o advogado analisar imagens de câmeras de segurança, confirmando o envolvimento de Luma e Carlos Eduardo. Uma testemunha declarou em cartório que a advogada planejava excluir o ex-companheiro das negociações. O fim da união resultou em acusações mútuas e na concessão de medida protetiva cautelar para a advogada.

Segundo as denúncias, os desvios ocorriam por meio de honorários advocatícios cobrados sobre os contratos. Na venda da SAF, avaliada em R$ 20 milhões para o clube social, R$ 2 milhões foram destinados a Luma e Guilherme. O valor foi fatiado entre Tadeu Deradeli, Carlos Eduardo e o casal de advogados.

Documentos entregues à polícia mostram que, em 1º de dezembro, o Juventus repassou R$ 900 mil aos advogados. Deste montante, R$ 341,2 mil foram entregues em espécie a Carlos Eduardo, enquanto R$ 224 mil foram depositados para Tadeu Deradeli. Em maio (2026), um novo repasse da SAF gerou pagamento de R$ 350 mil em honorários.

O contrato com a escola bilíngue Maple Bear também é alvo do inquérito. Em abril (2026), a instituição adiantou R$ 500 mil de um contrato de R$ 3 milhões. Do valor adiantado, R$ 106 mil foram repassados ao presidente Tadeu Deradeli, R$ 25 mil ficaram com Guilherme e R$ 369 mil foram destinados a Luma e Carlos Eduardo.

Outro contrato sob suspeita envolve a concessão do estacionamento do clube para a empresa Retaguarda Assessoria Empresarial e Comercial LTDA, firmado em outubro. O conselheiro Eduardo Pinto Ferreira denunciou que a arrecadação do setor caiu de R$ 100 mil para R$ 40 mil mensais e que recebeu um Pix não solicitado de R$ 17 mil da empresa.

A proprietária da Retaguarda é Lilia Aparecida Marinho Rangel, esposa do superior hierárquico de Carlos Eduardo na Polícia Civil. Conselheiros relatam que o presidente do Conselho exibia armas em reuniões para intimidar opositores.

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