Menos alarmismo, mais barreiras: o que 87 estudos dizem sobre a IA no Brasil
Para entender os impactos econômicos da inteligência artificial no Brasil, o Reglab analisou 87 estudos publicados entre maio de 2022 e maio de 2026.
A pesquisa, comissionada pela Meta Brasil, não encontrou projeções de impacto negativo sobre o PIB ou a produtividade.
Contudo, grande parte das evidências ainda se baseia em modelos teóricos, e não em resultados práticos.
Conheça o JOTA PRO Tecnologia, solução corporativa que acompanha todas as movimentações regulatórias e legislativas que impactam o setor O que as evidências destacam é que o aproveitamento da IA no país depende menos da tecnologia em si e mais da superação de alguns gargalos históricos, como a concentração do uso em grandes empresas, o crédito caro combinado à falta de qualificação profissional, a conectividade desigual, a alta informalidade (que afeta 42% dos trabalhadores) e a dependência de infraestrutura estrangeira, que faz com que o valor gerado saia do país enquanto os custos ficam no Brasil.
Quanto a IA pode somar ao PIB O tamanho do ganho depende do modelo.
Em outro estudo do Reglab, Costa Filho e Palanca (2026) adaptaram o modelo de Acemoglu (2025) a 12 setores da economia brasileira e projetaram R$ 986,7 bilhões adicionais ao PIB entre 2027 e 2030, em valor presente.
Dois terços do efeito vêm de trabalhadores mais produtivos; o restante, de máquinas e equipamentos mais eficientes.
O cenário supõe difusão mais lenta que a das economias avançadas, pelo custo do crédito e pelas lacunas de qualificação.
Essa média nacional esconde realidades muito distintas.
A indústria de transformação lidera em valor (R$ 264,2 bilhões), com o ganho dividido entre trabalho e capital.
Na agropecuária, 92% do efeito chega pelo capital, como sensores, drones e maquinário, e não pelos trabalhadores.
Esse contraste revela uma falha frequente nos debates sobre o tema: ao medir a IA apenas pelo grau de exposição das profissões, costuma-se subestimar seu impacto real em setores intensivos em capital.
Exposição não é desemprego No trabalho, o conceito-chave é a exposição.
Em escala global, um em cada quatro trabalhadores está em funções com algum contato com a IA generativa, mas apenas 3,3% ocupam cargos com alto potencial de automação (Gmyrek et al., 2025).
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