Os eleitores que decidem o 2º turno, segundo cartilha da campanha de Lula
O presidente Lula declarou logo depois do primeiro turno, no qual teve 45,16% dos votos válidos, atrás dos 47,03% de Flávio Bolsonaro, que o combate à abstenção seria uma de suas prioridades na campanha do segundo turno.
Todavia, o petista procura eleitores em várias frentes, porque, se depender apenas do estímulo ao comparecimento, terá de realizar um milagre de conversão de votos, como deixa claro um documento interno de seu QG a que VEJA teve acesso: “se pelo menos 40% dos que se ausentaram no primeiro turno votarem em Lula, a eleição está ganha”.
Não é pouca coisa.
Os tais 40% correspondem a mais de 13 milhões de eleitores, uma vez e meia a votação conquistada por Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) juntos.
A mesma cartilha, que vem sendo replicada em reuniões fechadas com aliados do candidato à reeleição, identificou dois perfis de eleitores que vão decidir a disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização.
Trata-se de quem votou em Lula em 2022 e se afastou agora e daqueles que optaram por Cury em 4 de outubro.
O primeiro perfil compreende um universo de 3,4 milhões de votos a menos recebidos pelo petista na eleição atual.
Para se ter uma ideia do prejuízo, a diferença para Flávio Bolsonaro no primeiro turno foi de 2,2 milhões de votos.
“Não sabemos por que (esse eleitor) saiu nem o que o traz de volta”, admite o documento interno do PT.
Continua após a publicidade Já o eleitor de Cury é caracterizado no guia como “moderado, urbano, de renda média”, acrescentando que quase metade deles vota nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Depois de acenar com uma postura de neutralidade no segundo turno, o autor declarou apoio ao senador do PL, que, por sua vez, comprometeu-se a adotar na íntegra um apanhado de princípios exigidos pelo candidato do Avante, entre eles a criação de um “Ministério da Prosperidade”.
Ainda assim, a estratégia petista orienta aliados de Lula a uma conversa direto com o eleitor de Cury.
“Atacado, ele anula; chamado ao diálogo, pode vir”, adverte o livreto.
Continua após a publicidade O mesmo documento deixa claro que, internamente, o PT reconhece as limitações de uma estratégia de captação de votos voltada para as abstenções.
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