Governo projeta 9,2 GW de armazenamento em meio à curtailment
Em meio à pressão por soluções para os cortes de geração de fontes renováveis, o Ministério de Minas e Energia ( MME ) projeta a incorporação de 9,2 gigawatts (GW) de sistemas de armazenamento de energia ao setor elétrico brasileiro até 2036.
A estimativa consta da proposta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), elaborada em conjunto com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e colocada em consulta pública na quinta-feira (8/10).
Do total previsto, 7,2 GW correspondem a sistemas de armazenamento em baterias, com entrada indicativa a partir de 2028, e outros 2 GW a usinas hidrelétricas reversíveis, que aparecem pela primeira vez na expansão indicativa do planejamento decenal.
O documento também projeta 4 GW de resposta da demanda, mecanismo que permite reduzir ou deslocar o consumo de eletricidade em determinados momentos para atender às necessidades do sistema.
Quer receber reportagens do JOTA com mais frequência? Clique aqui e selecione o JOTA como fonte de informação no Google Notícias O avanço dessas tecnologias é apontado pela EPE como uma das alternativas para ampliar a flexibilidade operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN), em um cenário de participação crescente de fontes renováveis não controláveis, especialmente solar e eólica.
Segundo o relatório, essas fontes deverão representar 47% da capacidade instalada de geração elétrica em 2036, um aumento de seis pontos percentuais em relação à previsão feita no ano passado.
O PDE reconhece que os sistemas de armazenamento podem contribuir diretamente para reduzir esses excedentes, ao consumir energia em horários de elevada disponibilidade renovável, e indiretamente, ao fornecer potência nos momentos de maior demanda, diminuindo a necessidade de manter usinas termelétricas em operação quando há abundância de energia solar e eólica.
O planejamento ressalta, porém, que a mitigação dos cortes de geração dependerá de um conjunto de medidas, incluindo a expansão da transmissão, o aprimoramento da previsão da geração renovável, maior flexibilidade das usinas convencionais e a utilização de recursos capazes de ajustar o consumo às condições do sistema.
Segundo o relatório, é necessário avaliar os investimentos para mitigar os excedentes em relação aos benefícios proporcionados, buscando níveis economicamente eficientes de curtailment.
A discussão ocorre em um momento de mudanças regulatórias para o setor.
Na terça-feira (6/10), a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou novas regras de compartilhamento dos efeitos econômicos dos cortes de geração entre usinas eólicas, solares e hidrelétricas.
A decisão prevê um período de testes antes da inclusão escalonada das hidrelétricas no mecanismo de rateio.
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