Com El Niño, açúcar pode ser a commodity “super quente” de 2027, diz ex-Wilmar
Por Marcelo Teixeira NOVA YORK, 14 Set (Reuters) – A anomalia climática do El Niño e a redução dos estoques de açúcar na Índia criarão as condições para um mercado super ‘quente’, segundo o ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, empresa de comercialização e processamento de commodities com sede em Cingapura. ‘Pode realmente ser a commodity super quente de 2027, já que o que está acontecendo atualmente e afetando o açúcar pode desencadear um dos mercados mais ‘bullish’ dos últimos 20 anos’, disse o ex-executivo da Wilmar Jean-Luc Bohbot, à Reuters.
O último terço da safra de açúcar no Brasil, maior produtor mundial, provavelmente será afetado pelo excesso de chuvas, enquanto a Índia, segunda maior produtora, poderá ser forçada a importar ‘volumes substanciais’, disse ele.
Isso provavelmente levará a novos picos de preço, mesmo após a alta de 20% registrada em agosto, disse Bohbot, que deixou a Wilmar no início deste ano, após 15 anos na empresa. ‘Os riscos (de escassez) não diminuíram durante a alta; pelo contrário, aumentaram’, disse ele.
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Ele disse que o clima quente e seco prejudicou a produção na Europa e na Indonésia.
A produção na Tailândia, o segundo maior exportador mundial, cairá porque alguns agricultores passaram a cultivar mandioca, disse Bohbot.
Ele disse que o processamento da cana sofreu atrasos devido às chuvas em um volume equivalente a cerca de 25 milhões de toneladas no Brasil.
As previsões de mais chuvas em setembro sugerem que ‘o atraso atual pode, portanto, não ser recuperado e pode aumentar’, disse ele.
A produção de açúcar do Brasil poderá cair de 3 a 5 milhões de toneladas este ano em relação à safra passada, caso as chuvas continuem em outubro e novembro, disse ele. ‘Os consumidores, em grande parte, perderam a alta e continuam com preços abaixo do valor de mercado, enquanto os produtores estão agora muito mais bem protegidos.
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