Telescópio flagra dois buracos negros prestes a se fundir
Quando astrônomos se propuseram, há dois anos, a mapear partes do cosmos antigo, esperavam encontrar galáxias que continham dois buracos negros.
O universo foi além: eles encontraram uma galáxia com três.
É a primeira vez que cientistas encontram evidências de uma galáxia jovem que abriga um trio de buracos negros supermassivos ativos, segundo artigo publicado na quarta-feira (13) na revista Astronomy & Astrophysics .
Dois deles estão tão próximos que parecem prestes a se fundir.
Praticamente todas as galáxias massivas estudadas por astrônomos têm buracos negros em seus centros, disse a autora principal, Hannah Ubler, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre.
Alguns pares e trios já foram observados em galáxias próximas, mas nunca um trio tão distante da Terra.
A distância — mais de 12,5 bilhões de anos-luz — os situa a cerca de 1 bilhão de anos após o Big Bang.
O registro de dois buracos negros antes de se combinarem é uma evidência de que eles vêm crescendo, consumindo estrelas e gases e moldando galáxias desde o início do universo.
“A suposição sempre foi a de que esses buracos negros começaram a crescer no universo primitivo”, disse Ubler.
“Agora estamos vendo isso em ação.” Uma descoberta como essa não era possível até cerca de quatro anos atrás, quando o poderoso Telescópio Espacial James Webb começou a capturar imagens de luz cósmica que viaja das regiões mais distantes do universo há mais de 13 bilhões de anos.
Seu predecessor, o Telescópio Espacial Hubble, não tinha a sensibilidade do Webb nem sua capacidade de analisar sinais de luz, disse Steven Finkelstein, astrônomo da Universidade do Texas em Austin que não participou da pesquisa.
Na resolução do Hubble, essa galáxia teria apenas alguns pixels — pequena demais para distinguir os contornos de seus três buracos negros.
A galáxia distante J0148-4214, imageada pelo Telescópio Espacial James Webb em hidrogênio ionizado.
Os três buracos negros massivos estão indicados por círculos pretos (fora de escala).Crédito: Hannah Übler Para identificar o trio, os pesquisadores usaram o que Finkelstein chamou de “um modo realmente legal” do poderoso espectrógrafo de infravermelho próximo do Webb, que consegue separar os comprimentos de onda individuais da luz que atinge o instrumento.
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