Rússia e China vetam vigilância da ONU sobre programa nuclear iraniano
Rússia e China vetaram hoje uma proposta dos EUA no Conselho de Segurança da ONU para renovar o mandato de especialistas das Nações Unidas que monitoram as sanções nucleares contra o Irã, segundo o The New York Times.
A resolução dos EUA pretendia estender o trabalho de um painel criado para acompanhar o programa nuclear iraniano e tentativas de driblar sanções internacionais. O veto expôs o conflito entre as potências no Conselho de Segurança da ONU sobre a pressão americana contra o Irã menos de uma semana antes do encontro entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente Trump, em Washington.
A Grã-Bretanha e a França, juntamente com oito membros não permanentes do Conselho, votaram a favor da resolução dos EUA, com dois países se abstendo. No entanto, a China e a Rússia — dois membros permanentes do Conselho com poder de veto — rejeitaram a medida, alegando que as sanções haviam expirado e que a questão não deveria mais ser objeto de debate.
Jennifer Locetta, embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, classificou os vetos da Rússia e da China como um 'ato de obstrucionismo'. Ela afirmou que eles visavam impedir a divulgação de informações "que implicam as suas próprias atividades de apoio a regimes párias". Jennifer acrescentou que os vetos criariam "uma lacuna de monitoramento que beneficia apenas o regime iraniano e aqueles que lucram ao burlar essas medidas".
Representantes de China e Rússia fizeram críticas durante a reunião em Nova York. Fu Cong, embaixador chinês na ONU, pediu que o Conselho evite "dois pesos e duas medidas, manipulação política, pressão e confronto". Vasily Nebenzya, embaixador russo, condenou o que chamou de "caminho destrutivo de nossos colegas ocidentais, determinado puramente por seus interesses econômicos em exercer pressão sobre a República Islâmica do Irã".
Os representantes também defenderam uma solução diplomática para o conflito dos EUA com o Irã. Eles afirmaram apoiar o direito do Irã a um programa nuclear para fins civis.
A Agência Internacional de Energia Atômica, órgão distinto da ONU de fiscalização do setor, informou neste mês que não teve acesso a instalações nucleares iranianas. Autoridades do Irã não se pronunciaram de imediato sobre a votação e os vetos.
Em maio, autoridades dos EUA afirmaram que a Rússia estava enviando componentes de drones para o Irã via Mar Cáspio. O governo russo estaria ajudando o Irã a reconstruir suas capacidades ofensivas em meio ao conflito com os EUA. Anteriormente, autoridades também haviam declarado que a Rússia fornecia informações de inteligência ao Irã durante a guerra, incluindo imagens de satélite que mostravam a localização de navios de guerra e de pessoal militar.
O conflito, iniciado com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no final de fevereiro, abriu uma nova frente na rivalidade entre a China e os EUA. As compras chinesas de petróleo iraniano têm ajudado a manter a economia do Irã em funcionamento.
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