Bernie Sanders e Lula conversaram sobre risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador independente norte-americano Bernie Sanders se encontraram na segunda-feira (21) em Nova York, às vésperas da abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU .
A reunião percorreu temas como a defesa da democracia, o combate ao extremismo de direita, a regulamentação da inteligência artificial e o modelo brasileiro de saúde pública, num momento em que lideranças progressistas buscam articulação diante do avanço de pautas conservadoras ao redor do mundo.
A reunião com Sanders foi precedida por outros dois encontros relevantes: com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, democrata socialista próximo ao senador independente, e com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi.
O encontro com Mamdani foi o primeiro grande compromisso do prefeito com um líder internacional, e os dois trocaram elogios publicamente.
A agenda densa de Lula em Nova York sinaliza uma movimentação deliberada no campo progressista global, com encontros escolhidos a dedo antes de um dos palcos multilaterais mais visíveis do calendário diplomático.
Eleições brasileiras Um dos momentos mais significativos da conversa envolveu as eleições.
Segundo auxiliares de Lula e um assessor de Sanders, o senador perguntou diretamente ao presidente sobre o risco de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
Lula teria respondido que o governo está vigilante, mas não acredita que haverá interferência.
O mesmo assessor relatou que Sanders afirmou que o movimento progressista estadunidense precisa apoiar a autodeterminação do Brasil, declaração que ganha peso num contexto em que o presidente Donald Trump tem sinalizado tentativa de interferência nas eleições brasileiras usando sanções e outros tipos de retaliação.
SUS O Sistema Único de Saúde (SUS) também entrou na pauta.
Segundo relatos de interlocutores, caso os democratas conquistem a maioria na eleição legislativa e Lula seja reeleito, Sanders pretende convidar o presidente brasileiro para discursar no Senado dos EUA sobre a experiência do SUS, um sistema que o senador cita como referência em sua defesa de “saúde para todos” nos Estados Unidos.
Em post nas redes sociais após o encontro, Lula relatou que os dois “dialogaram sobre temas globais, como a defesa do multilateralismo, da paz e da democracia”, e que “repudiaram o aumento dos gastos militares, o aprofundamento das desigualdades e a precarização da situação dos trabalhadores”.
Lula acrescentou que ele e Sanders “expressaram preocupação com o extremismo e defenderam a necessidade de uma governança global da Inteligência Artificial, além de maior participação de mulheres e jovens na política”.
Sanders é defensor de regulamentação pública robusta da IA e já pediu ao Vale do Silício que freie o desenvolvimento da tecnologia.
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