Fundos estão baratos na bolsa? BTG vê janela de oportunidades após queda e indica em quais investir
Fundos negociam com descontos atrativos e com yields chegando a 17% em alguns casos, criando oportunidades para investidores com foco no médio e longo prazo
Depois de uma baixa generalizada, há oportunidades de alta. Mas é preciso saber o que olhar para entender se é um investimento de qualidade ou uma armadilha. Os fundos listados em bolsa atravessam um período conturbado em 2026.
Para o BTG Pactual, porém, a correção dos fundos abriu uma nova janela de entrada. Os descontos aumentaram e os rendimentos ficaram mais atraentes, com dividend yields que chegam perto de 17%, dependendo da classe.
Pressionados pelo cenário de juros elevados, pelas incertezas fiscais e pela proximidade das eleições, diferentes segmentos acumulam perdas no ano, movimento que se intensificou em agosto.
Para se ter uma ideia, o Ifix , principal índice de fundos imobiliários da B3, acumula queda de 3,7% no mês e de 2,5% no ano. Entre os FIIs de tijolo, o desempenho é ainda pior: as perdas chegam a 4% em agosto e 4,3% em 2026.
O movimento contrasta com o mercado de ações , que, apesar de enfrentar um mês também negativo, de -3,44%, ainda sustenta alta de pouco mais de 7% no acumulado do ano.
Os Fiagros , por exemplo, negociam em média a 0,81 vez o valor patrimonial, com dividend yield de 17,2% nos últimos 12 meses. Nos FI-Infra , os números são de 0,93 vez e 14,6%, respectivamente. Já o Ifix negocia a 0,84 vez o valor patrimonial, com retorno em dividendos de 12,3%.
Na avaliação do banco, boa parte do pessimismo já foi incorporada às cotações. “Os preços atuais já incorporam uma parcela relevante dos riscos macroeconômicos e criam uma assimetria mais favorável para investidores com horizonte de médio e longo prazo”, afirmam os analistas do BTG, em relatório divulgado nesta terça-feira (25).
Segundo o BTG, a fraqueza das cotas está mais relacionada à percepção de risco macroeconômico e à mudança no fluxo de investidores do que a uma piora generalizada dos fundamentos.
Os juros elevados atuam em duas frentes: tornam a renda fixa relativamente mais atraente e aumentam a taxa de desconto utilizada para calcular o valor dos fluxos futuros dos fundos. O efeito é particularmente relevante para os FIIs de tijolo e outros ativos mais sensíveis à curva longa de juros.
O fiscal adiciona outra camada de pressão. Segundo o relatório, nos 12 meses encerrados em junho, o setor público consolidado registrou déficit primário de 1,19% do PIB, enquanto a dívida bruta alcançou 81,9%. A proximidade das eleições também aumenta a incerteza sobre a política econômica a partir de 2027.
O banco ainda menciona uma mudança importante no fluxo de capital. Em julho de 2025, as pessoas físicas respondiam por 56% do volume negociado de FIIs. Um ano depois, essa fatia caiu para 33%.
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