PF sequer teria enviado a Mendonça conteúdos de bolsonaristas no caso Master, diz jornal
Revelações trazidas a público pelo jornal Correio Braziliense , com base em fontes no Supremo Tribunal Federal, trouxeram à tona suspeitas contundentes sobre a condução da Operação Compliance Zero.
As informações apontam que a Polícia Federal operou com uma flagrante seleção de alvos ao sonegar do gabinete do ministro relator, André Mendonça, trechos cruciais de investigações que implicavam figuras diretamente ligadas à extrema direita e ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que acelerava e direcionava apurações contra adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A dúvida que paira no ar é se tal medida teria sido de alguma forma sugerida ou direcionada pelo próprio relator do inquérito, ou seja, Mendonça.
Conforme a reportagem do Correio Braziliense , a omissão se estende a diálogos gravíssimos mantidos entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e figuras centrais do ecossistema bolsonarista na política, como, por exemplo, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha.
Mais do que isso: dados que tangenciam o próprio tribunal superior também foram convenientemente retidos pela corporação.
Ficaram de fora dos relatórios remetidos ao relator trechos que citam o ministro Nunes Marques, indicado ao STF por Bolsonaro, em que o magistrado aparece como suposto beneficiário de regalias como estadias em hotéis de luxo, ingressos VIP para shows internacionais e o custeio do aluguel de uma mansão.
A apuração registrou ainda a menção a uma suposta “mesada” no valor de R$ 500 mil destinada ao filho do magistrado, Kevin Marques.
Nunes Marques nega veementemente qualquer prestação de serviços de seu filho à instituição financeira, assim como rejeita relações pessoais com o banqueiro.
No entanto, o magistrado acabou por se declarar impedido de julgar petições ligadas à investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, cujo nome foi ostensivamente exposto no inquérito após a PF enviar, com presteza cirúrgica, mensagens envolvendo a esposa deste, a advogada Viviane Barci, em contratos com o banco.
O envio seletivo contra Moraes desencadeou uma crise sem precedentes na Corte, ao passo que citações ao ministro Dias Toffoli, cuja família teve contratos citados nos autos, também foram mantidas na sombra, levando o magistrado a deixar a relatoria original após reuniões administrativas do tribunal.
Inquérito e ncomendado e a s ombra n o g abinete de Mendonça O cenário desenhado pelas revelações aponta para o contorno de uma apuração sob medida: enquanto o material que atingia opositores do bolsonarismo fluía rapidamente até o topo do Judiciário, os arquivos que poderiam comprometer aliados da extrema direita eram barrados no fluxo policial.
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