Espetáculo no 033 Rooftop leva público ao centro de um crime familiar
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Na véspera de Natal, uma mansão isolada pela neve vira o cenário de um dilema simples de enunciar e péssimo de resolver: o dono da casa foi encontrado morto com uma faca nas costas, as linhas de telefone foram cortadas e o motor do carro foi sabotado. Sem sinal e sem polícia, resta às moradoras e funcionária encarar a verdade matemática da situação: a assassina é uma das sete mulheres da sala.
É essa a premissa de "7 Mulheres e Um Mistério – O Musical" , montagem que ocupa o 033 Rooftop, em São Paulo. A produção da WB Produções e Nosso Cultural, idealizada por Francisco Antonelli, pega o clássico "8 Femmes", escrito pelo francês Robert Thomas nos anos 1960, e dá a ele uma versão inédita, autoral e cantada.
O texto já passou pelos palcos brasileiros em 1962 com Nathália Timberg e Dulcina de Moraes , virou filme musical de François Ozon em 2002 e ganhou versão italiana de Alessandro Genovesi em 2021. Desta vez, a adaptação, letras e canções originais têm a assinatura de Anna Toledo , sob a direção artística de Ricardo Grasson e Heitor Garcia e direção musical de Thiago Gimenes.
A grande virada aqui está no ritmo. Em vez de interromper a ação para cantar, as canções criadas por Toledo escancaram o que a polidez burguesa tenta esconder. O verniz social cai em solos e duetos cheios de ironia, aproximando o suspense policial do tom rasgado de uma novela mexicana ou comédia de costumes.
Essa dinâmica ganha força com a própria disposição do espaço. Sem a distância tradicional do palco, o público acompanha a investigação acomodado em mesas e sofás espalhados ao redor da cena, podendo inclusive degustar um menu temático francês assinado pelo chef Mário Azevedo.
A cenografia de Natália Lana aproveita a altura do local para criar tensão, usando o nível térreo como arena dos embates verbais e a grande escadaria para indicar o quarto da vítima no andar superior, enquanto a iluminação de Gabriele Souza, o som de Tocko Michelazzo e as coreografias de Keila Bueno e Victoria Ariante mantêm a movimentação ágil no formato de arena.
A engrenagem se sustenta no trabalho de um elenco afinado. Bruna Guerin destaca-se como a governanta "francesa" em composição debochada, ao lado de Stella Miranda no papel de Perfídia, a matriarca ácida e Paula Capovilla como a reprimida Augusta. O grupo se completa com Malu Rodrigues como a filha perfeita Bianca, Letícia Soares no papel da visitante Bete, Verónica Valenttino como a esposa desiludida e Laura Castro como a caçula Catarina. Entre alianças temporárias, álibis frágeis e acusações cruzadas, a união familiar desmorona a cada depoimento até que a última nota seja cantada e a verdade venha à tona.
De que maneira a direção trabalhou para que o espectador se sinta dentro da mansão e participante ativo da investigação?
A imersão é uma premissa do 033 Rooftop, e entendemos desde a etapa de decupagem que a plateia precisava fazer parte do espaço e da encenação. Pensamos cenografia, figurinos, luz e som em função dessa integração. Na história, tudo começa pelo fim: os personagens recepcionam os compradores do imóvel.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.