Como turnê de Ed Sheeran se tornou conflito sobre Palestina e antissemitismo
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O cantor Finneas O'Connell, irmão de Billie Eilish , os artistas Aaron Rowe e Lukas Graham e a banda alternativa Beoga anunciaram que não farão mais os shows de abertura da turnê de Ed Sheeran .
A decisão veio após o rapper Macklemore, também contratado para os shows de abertura, ser afastado da turnê por declarar apoio à Palestina . Ele fez isso durante as apresentações em Nova Jersey, nos Estados Unidos, nos dias 4 e 5 deste mês.
Finneas abriria os shows de Ed Sheeran no Brasil, marcados para 5 e 6 de dezembro. Ele, como os outros músicos que desistiram do trabalho, falou em liberdade de expressão. "Artistas não podem ser silenciados quando defendem oprimidos", escreveu Finneas nas redes. "Estou ao lado da Palestina e de seu povo."
As desistências aumentam a pressão sobre Ed Sheeran, gigante das plataformas de streaming e dono de turnês de sucesso. O britânico tem sido criticado por permitir que os músicos saíssem da turnê, decisão que, segundo ele, foi tomada pelos produtores e proprietários dos estádios onde os próximos shows acontecem.
Ele desafiou o bilionário Robert Kraft, proprietário do estádio Gillette Stadium, em Massachusetts, onde Ed Sheeran se apresentará no final do mês. Kraft vem sendo apontado como um dos empresários que exigiu a saída de Macklemore da turnê.
A controvérsia surgiu quando Macklemore apresentou a canção de protesto "Hind’s Hall", que acusa Israel de genocídio na guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023. O videoclipe da faixa mostra cenas de destruição em Gaza e de protestos em Nova York.
"Eu queria subir aos palcos e me apresentar em estádios por todos os Estados Unidos", disse Macklemore no palco, "e dizer duas palavras que são muito importantes para mim: Palestina livre".
Organizações como a Liga Antidifamação imediatamente criticaram a apresentação, e o Conselho Israelense-Americano divulgou uma petição pedindo que Sheeran retirasse Macklemore da turnê.
"Não tomo essa decisão levianamente", escreveu Rowe, músico de Dublin, nas redes sociais. "Ed tem sido meu amigo e mudou a minha vida. Eu jamais conseguiria agradecê-lo o suficiente."
"Mas, como irlandeses", seguiu Rowe, "conhecemos bem o genocídio, a fome provocada e a ocupação violenta. Não posso ficar de braços cruzados e permitir que bilionários usem seu poder para silenciar as vozes daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e que denunciam o assassinato brutal de crianças".
Graham afirmou em sua própria declaração nas redes sociais: "Dinheiro não dá a ninguém o direito de controlar o debate. O saldo bancário de ninguém deveria decidir quem pode falar ou qual sofrimento temos permissão para reconhecer". Ele acrescentou emojis de melancia, símbolo de apoio à causa Palestina.
Em outra declaração, o Beoga afirmou que sua decisão foi uma reação "ao silenciamento de Macklemore por lobbies sionistas".
Macklemore disse, em uma declaração publicada na internet na segunda-feira, que Sheeran lhe havia contado que os locais que receberiam a turnê exigiram sua retirada.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.