Por que possível veto dos EUA ao diesel acende alerta no Brasil
Embora seja um exportador líquido de petróleo, o Brasil tem capacidade limitada de refino e depende fortemente de importações de combustíveis refinados, especialmente de diesel.
Dessa forma, a possibilidade dos EUA restringirem as exportações do combustível acende um alerta para o mercado brasileiro.
Os Estados Unidos estão finalizando um plano para proibir as exportações de diesel por 90 dias , apesar das divergências em torno da medida no setor de petróleo e dentro do próprio governo, informou o Politico nesta quarta-feira.
Segundo o veículo, o objetivo da Casa Branca seria lançar um pacote de medidas para reduzir os custos de energia antes das eleições de meio de mandato, em novembro.
Leia também RD Saúde (RADL3): Goldman Sachs vê queda recente como oportunidade de entrada Banco reiterou recomendação de compra para as ações BC diz não ver sinais de propagação inflacionária do choque recente do petróleo Efeitos de segunda ordem podem ocorrer quando as empresas antecipam aumentos futuros de custos, mas ambiente econômico não tem permitido esse repasse antecipado Dependência de importação O JPMorgan estima que atualmente cerca de 25% do consumo de diesel e aproximadamente 10% do consumo de gasolina do Brasil sejam abastecidos por importações.
No diesel, os EUA ganharam espaço após a redução das compras da Rússia e responderam por mais de 70% das importações brasileiras em agosto, elevando a exposição do país a uma eventual restrição americana.
Na gasolina, a participação russa caiu para 26%, ante pico de 32%, enquanto fornecedores da zona do euro e do Reino Unido chegaram a responder por até três quartos das importações mensais.
Apesar da alta global dos combustíveis, subsídios, cortes de impostos e política de preços limitaram a alta dos combustíveis no IPCA a 3% neste ano.
O JPMorgan estima, porém, que o diesel doméstico esteja em cerca de metade da paridade internacional e que a gasolina internacional esteja até 60% acima dos preços domésticos no atacado.
Caso essa defasagem fosse eliminada e os subsídios retirados, o impacto direto sobre o IPCA poderia chegar a quase 1,5 ponto percentual, principalmente pela gasolina.
No diesel, o efeito total poderia ser maior devido aos impactos indiretos sobre a economia.
Para conter os preços, o governo ampliou os subsídios e reduções tributárias.
As medidas adotadas em setembro têm custo estimado de R$ 7 bilhões por mês, enquanto o custo acumulado do pacote desde março pode chegar a R$ 40 bilhões até o fim de setembro, equivalente a cerca de 0,3% do PIB.
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