O eleitor silencioso de Flávio Bolsonaro
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Há um "eleitor silencioso" de Flávio Bolsonaro que não declara voto nas pesquisas, mas pode aparecer na urna, diz José Roberto de Toledo no A Hora , do Canal UOL .
O tema é um dos destaques do episódio desta semana do A Hora, podcast de notícias do UOL com os jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo , disponível nas principais plataformas. Ouça aqui .
Segundo Toledo, a hipótese surgiu da experiência dele em 2018, quando encontrou eleitores que não diziam em público em quem votariam, mas acabaram escolhendo Jair Bolsonaro. Para tentar medir esse tipo de comportamento agora, ele levou a questão ao Datafolha.
Eu transferi esse trabalho parcialmente para a Luciana Chong, que é a diretora do Datafolha. Falei: "Temos um problema. A Thais e eu achamos que tem um eleitor do Flávio que talvez nem saiba ainda que vai votar no Flávio". Ela e a equipe do Datafolha fizeram uma série de cruzamentos e identificaram algumas categorias. Vou destacar duas. A primeira é o típico eleitor do que a teoria do voto chama de espiral do silêncio. Ele não cita nem Lula nem Flávio na espontânea; na estimulada, também não cita. Aí você pergunta em quem não votaria de jeito nenhum e ele diz que não votaria no Lula, mas não diz que não votaria no Flávio. No segundo turno, ele também não disse que vai votar no Flávio. São 3% do eleitorado. José Roberto de Toledo
Ele ressalta que o cruzamento não permite "cravar" o voto, mas indica um grupo com rejeição a Lula e sem rejeição a Flávio, que pode não aparecer na pesquisa por não declarar intenção. Para Toledo, esse eleitor pode não ir votar, anular ou votar em branco - mas também pode migrar para Flávio por antipetismo.
Se o cara rejeita o Lula e não rejeita o Flávio, e está dizendo que não está declarando voto, tem duas possibilidades: ou esse cara nem sequer vai aparecer para votar ou, motivado pelo antipetismo, ele vai votar. E, se ele vai votar em alguém, vai ser no Flávio. José Roberto de Toledo
Toledo diz que o Datafolha encontrou ainda um segundo grupo com padrão parecido, mas que, no cenário de segundo turno, declara voto em Flávio. Nesse recorte, o percentual chega a 7%.
O Datafolha encontrou uma outra categoria. Na espontânea, não cita nenhum dos dois. Na estimulada, não cita nenhum dos dois. Na rejeição, rejeita o Lula, não rejeita o Flávio e, no segundo turno, diz que vota no Flávio. E esses daí são 7%. É o dobro do outro grupo. Só que eles se somam potencialmente. José Roberto de Toledo
Somados, os dois grupos chegariam a 10% de "voto potencial" que não entram na conta tradicional de intenção, porque o eleitor não declara preferência. Toledo explica que essa leitura serve como alerta contra previsões categóricas sobre o desfecho da disputa.
É voto potencial do Flávio que as pesquisas não vão mostrar porque o cara não declarou que vai votar. Eu só estou querendo mostrar que ali isso não acabou. Na verdade, mal começou. José Roberto de Toledo
Toledo também critica o uso de plataformas de apostas e modelos preditivos como "bola de cristal" e diz que, no fim, a eleição "só termina quando acaba".
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