ONU tem nova 'votação indicativa' para o cargo de secretário-geral
O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta-feira (21) para uma segunda "votação indicativa" entre oito candidatos ao cargo de secretário-geral, a maioria da América Latina, em um cenário de profundas divisões dentro da organização.
Cinco mulheres e três homens aspiram suceder o português António Guterres, de 77 anos, que encerrará seu segundo mandato de cinco anos como secretário-geral em 31 de dezembro.
Reunidos a portas fechadas a partir das 10h00 locais (11h00 de Brasília), os 15 membros do Conselho deverão atribuir, de forma anônima, a cada candidato uma das seguintes qualificações: "apoia", "não apoia" ou "sem opinião".
Segundo uma tradição geográfica de alternância entre continentes, que nem sempre é respeitada, a América Latina reivindica o posto desta vez, o que explica o número de candidaturas da região. Muitos também pressionam para que, pela primeira vez, uma mulher assuma a direção da Organização das Nações Unidas.
Após a primeira votação indicativa em 30 de julho, Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e diretora da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), de 70 anos, recebeu o maior número de votos favoráveis.
A diplomata costa-riquenha superou assim, entre outros, a ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett, de 52 anos, e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, de 65.
Também estão na disputa a ex-presidente chilena e ex-alta comissária de Direitos Humanos da ONU Michelle Bachelet (74 anos), a ex-chanceler equatoriana María Fernanda Espinosa (61), o diplomata ugandense Olara Otunnu (75), o ex-presidente senegalês Macky Sall (64) e a diplomata e ex-ministra do Comércio equatoriana Ivonne Baki (75).
A questão agora é saber se Grynspan conseguirá consolidar sua posição.
"Os diplomatas esperam que a distribuição dos votos mude em relação à votação de julho", afirmou à AFP Daniel Forti, analista do International Crisis Group.
Como o processo deve servir tanto para definir um favorito como para descartar algumas candidaturas, "é muito possível que, ao término da votação, alguns percebam que sua campanha chegou ao fim", acrescentou.
A eleição acontece em um dos períodos mais difíceis da história da ONU, com o enfraquecimento do multilateralismo, divisões persistentes no Conselho de Segurança e graves dificuldades financeiras.
Sob pressão, em particular, dos Estados Unidos de Donald Trump, governo que questiona com frequência o papel e o financiamento da organização, as Nações Unidas não conseguem exercer influência em vários conflitos importantes, enquanto os cortes orçamentários ameaçam suas operações humanitárias e missões de paz.
Para conquistar a vitória no processo eleitoral, que ainda pode levar semanas ou meses, uma candidatura precisa obter pelo menos nove votos e evitar o veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).
O nome é então submetido à Assembleia Geral, que na prática aprova a nomeação do candidato recomendado.
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