Melhor Ideb em 20 anos conta a história da educação brasileira
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Há 20 anos, o Brasil decidiu criar um indicador capaz de responder a uma questão fundamental: como estava e para onde caminhava a educação brasileira?
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ( Ideb ) nasceu dessa preocupação. Ao combinar aprendizagem e trajetória escolar, o Ideb deu ao país uma referência comum para estabelecer metas, acompanhar redes de ensino e orientar a ação do Estado.
Por isso, olhar para o Ideb, cujo resultado do último ciclo é o melhor da série histórica, é também olhar para a história recente da educação brasileira .
O ponto de partida era um sistema marcado por três problemas crônicos: acesso, trajetória e aprendizagem.
Ainda havia muitos brasileiros e brasileiras fora da escola; reprovação, atraso e abandono interrompiam percursos; e os níveis de aprendizagem eram baixos e profundamente desiguais. Como resposta a essas chagas, nasce um pacto entre o Estado brasileiro e a sociedade civil: transformar a educação em política de Estado.
O Fundeb , criado em 2007, ampliou e redistribuiu o financiamento da educação básica. O Plano de Desenvolvimento da Educação articulou avaliação, formação e valorização dos professores, infraestrutura e colaboração entre governo federal, estados e municípios. Em 2008, criamos o piso do magistério, que garantiu, durante esse período, ganho real ao salário dos professores. Com a emenda constitucional 59, de 2009, a escolaridade obrigatória e gratuita passou a ser dos 4 aos 17 anos, sendo antes apenas dos 7 aos 14 anos.
O Ideb completou essa arquitetura institucional ao permitir identificar, com critérios objetivos, as escolas e os territórios que mais precisavam do apoio do poder público. Os resultados aparecem na própria trajetória do índice. O ensino fundamental tornou-se praticamente universal. As trajetórias escolares melhoraram. A aprendizagem avançou consideravelmente. Nos anos iniciais, o Ideb passou de 3,8, em 2005, para 6,3, em 2025. A proficiência no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) avançou o equivalente a mais de três anos de aprendizagem, aproximadamente.
A franca evolução, porém, mascara uma grave interrupção nos caminhos da educação brasileira. Entre 2016 e 2021, a função educação no Orçamento do Executivo federal perdeu o equivalente a R$ 100 bilhões, em valores corrigidos. Educação exige continuidade e compromisso político. Quando os recursos são comprimidos dessa forma, o país perde capacidade de apoiar suas redes, reduzir desigualdades e planejar o futuro.
Desde 2023, retomamos a capacidade de coordenação federativa e os investimentos. Construímos políticas de alfabetização e permanência, ampliamos recursos em infraestrutura e recolocamos a valorização dos professores e a educação integral no centro da agenda.
Essa retomada acontece em um Brasil diferente daquele de 20 anos atrás. Avançamos muito no acesso e na trajetória escolar, além de progredirmos na aprendizagem, o que nos possibilita estabelecer uma ambição maior para os próximos ciclos.
Agora, a prioridade será garantir aprendizagem com equidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.