Presidente da Transunião é solto após decisão da Justiça de SP
Jair Ramos de Freitas, presidente da Transunião, empresa de transporte investigada por suposta lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC), teve a sua soltura determinada nesta sexta-feira (14) após um pedido de Habeas Corpus ser aceito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Segundo a relatora do caso, Carla Rahal, a prisão temporária do investigado era ilegal, pois os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro não permitem esse tipo de detenção, segundo a lei.
Além disso, Jair teve a prorrogação da prisão por 30 dias por suposto envolvimento com tráfico de drogas , porém, segundo a decisão, essa não foi uma conduta imputada concretamente a Jair, servindo apenas como elemento contextual de infração antecedente da lavagem de dinheiro.
Ainda, a atividade final da suposta organização era a lavagem de capitais (ocultação e dissimulação de bens), que não é um crime hediondo.
Além disso, Jair está proibido de manter contato com qualquer uma das pessoas arroladas como testemunhas, bem como com dirigentes, administradores, sócios, cooperados, prepostos ou empregados da empresa Transunião e de ausentar-se da Comarca da Capital por mais de oito dias sem prévia comunicação ao Juízo.
A Operação Última Parada investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de transporte coletivo Transunião. A ação resultou na prisão de três investigados, entre eles o vereador do PT Senival Moura, integrantes da facção criminosa e o presidente da concessionária.
Desde as primeiras horas do dia, centenas de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumprem mandados judiciais em endereços da cidade de São Paulo, da Região Metropolitana e do município de Extrema, em Minas Gerais.
A investigação teve início após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado em 2020 . Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, as apurações reuniram provas consideradas robustas de que a empresa era utilizada pelo PCC para ocultar e movimentar recursos provenientes de atividades criminosas.
De acordo com os investigadores, apenas em 2025 a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema de transporte público paulistano . A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além da apreensão de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
O Poder Judiciário também determinou o afastamento imediato dos diretores da concessionária e comunicou à Prefeitura de São Paulo para que sejam adotadas as medidas administrativas, regulatórias e contratuais necessárias para garantir a continuidade do serviço à população.
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