O Rio de Fernando Sabino, de Teresa Montero
Criado no interior (do Paraná) sou daqueles caipiras que sempre amaram e que sempre temeram a cidade do Rio de Janeiro.
Tinha um amigo que jamais se permitiu ir ao Rio: tinha medo de ser atingido por uma bala perdida.
Ele não sabe o que perdeu: se a bala, ou se o encanto da cidade.
Conheci a “velha cap” em 1976.
Era adolescente.
Naquele ano, desmontavam o Palácio Monroe.
Spacca O palácio foi originalmente montado para abrigar o pavilhão do Brasil na feita norte-americana de Saint-Louis (em 1904).
Porque sua estrutura era desmontável, o palácio Monroe foi trazido para o Rio.
Abrigou a Câmara dos Deputados, depois o Senado, e depois caiu no esquecimento.
Eu vi restos do palácio (demolido em 1976).
Uma campanha implacável, liderada por um incensado arquiteto modernista, refratário ao sentido e à beleza do palácio, resultou em mais uma sensaboria da era militar.
O presidente era Ernesto Geisel.
Pelejaram em vão pela manutenção do palácio o Clube de Engenharia, o Instituto dos Advogados, o Instituto Histórico e Geográfico, a imprensa, todo mundo que tinha um pouco de juízo.
Derrubaram o prédio.
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