Ministro de Lula devolveu R$ 6,3 mi após comprador de imóvel virar réu
O ministro de Minas e Energia do governo Lula, Alexandre Silveira (PSD-MG), desfez a venda por R$ 6,3 milhões em que tinha vendido um terreno ao empresário e ex-deputado estadual mineiro João Alberto Paixão Lages, alvo da Polícia Federal.
Silveira devolveu o dinheiro após a Justiça Federal receber, em março de 2023, uma denúncia contra Lages e outros investigados na Operação Poeira Vermelha, que viraram réus por extração ilegal de minério de ferro na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).
Lages depois passou a ser investigado pela Polícia Federal por, supostamente, corromper autoridades na área de mineração para destravar processos em órgãos públicos e prospectar novas áreas para empreendimentos da organização criminosa.
A transação de R$ 6,3 milhões foi identificada na Operação Rejeito , entre outras operações financeiras de Lages. O ministro e a sua empresa, porém, não são investigados no inquérito.
Procurado, Silveira disse ao UOL que Lages estava interessado em comprar um terreno de sua empresa em Caeté (MG), mas, um ano depois, se arrependeu e, por isso, os valores foram devolvidos —apesar de o contrato prever que a transação era irrevogável.
A defesa de João Alberto disse que não comentará fatos relacionados à investigação que corre sob segredo de Justiça. Ainda assim, "reafirma que todos seus atos foram pautados pela legalidade e aguardará para se manifestar formalmente, perante as autoridades competentes".
Em junho deste ano, Lages foi indiciado pela PF, apontado como um dos líderes da organização criminosa na área de mineração investigada na Operação Rejeito, iniciada em 2023, que continuou a apuração da Poeira Vermelha, de 2020.
Foram pagas nove parcelas de Lages à Agropecuária AOS, holding familiar do ministro, entre março e setembro de 2022.
Os R$ 6,3 milhões foram devolvidos pela AOS a João Alberto Paixão Lages em 12 parcelas, pagas entre agosto de 2023 e julho de 2024.
Imagens de satélite mostram que o terreno, que é quase totalmente coberto por área florestada, permaneceu intacto durante o período em que Lages era seu dono.
"A transferência formal da escritura do imóvel para o nome do comprador foi feita em abril de 2023 — após a quitação das parcelas. Entretanto, o contrato foi rescindido, a pedido do comprador, em agosto de 2023, sendo devolvido o valor integral pago pelas parcelas", disse o ministro, em nota.
A Operação Poeira Vermelha deu origem à Operação Rejeito, que apurou crimes de corrupção e tráfico de influência na área de mineração.
No segundo semestre de 2022, período em que os pagamentos estavam sendo realizados, Alexandre Silveira concorreu a senador em Minas Gerais pelo PSD, mas não conseguiu se eleger. Em 2023, Lula o nomeou ministro.
O terreno foi vendido em 2024 a outra empresa, do Grupo AVG, que atua no setor de mineração em Minas Gerais, por R$ 7,8 milhões.
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