Remédios para dormir aumentam as chances de Alzheimer? Confira o que a ciência já sabe
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Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Quase toda família conhece alguém que toma um comprimido para dormir. Para alguns, o medicamento ajuda durante uma fase de ansiedade. Para outros, tornou-se parte da rotina há anos. Clonazepam, alprazolam, diazepam, zolpidem e outros medicamentos semelhantes estão entre os remédios mais prescritos no mundo. No Brasil, o clonazepam (Rivotril) figura há anos entre os medicamentos mais consumidos. Ao mesmo tempo, é cada vez mais comum aparecerem manchetes afirmando que esses medicamentos poderiam aumentar o risco de doença de Alzheimer.
Mas será que esses medicamentos realmente aumentam o risco de Alzheimer? Uma revisão concluída recentemente de 13 grandes estudos observacionais, da qual fiz parte, deixa claro que a ciência ainda não tem uma resposta conclusiva a essa pergunta . Os pesquisadores já têm certeza, porém, de que o uso prolongado desses medicamentos está associado a diversos efeitos adversos sobre a cognição e a saúde , independentemente de sua possível relação com a demência. Entender essa diferença é fundamental para interpretar corretamente o que a ciência mostra até hoje.
Qual a origem dessa preocupação? Nas últimas duas décadas, diversos estudos observaram que pessoas que usam benzodiazepínicos ou medicamentos para dormir apresentam maior frequência de doença de Alzheimer anos depois. À primeira vista, a conclusão parece ser que o medicamento aumenta o risco. Mas, em medicina, nem sempre uma associação significa que uma coisa causa a outra.
Imagine uma pessoa que, muitos anos antes do diagnóstico de Alzheimer, começa a dormir mal, sentir mais ansiedade e apresentar sintomas depressivos. Ela pode procurar atendimento médico justamente por essas queixas e receber uma receita de benzodiazepínico ou de um remédio para dormir. Nesse cenário, o medicamento não seria necessariamente um deflagrador da doença, mas uma indicação de que o processo neurodegenerativo já estava em curso.
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