A conta que não fecha: por que a Uber não deve trazer carros autônomos ao Brasil
Prever qual parcela de suas corridas serão realizadas por carros autônomos nos próximos anos ainda é uma tarefa difícil para a Uber.
Um dos motivos? O baixo custo da mão de obra humana encontrado pela plataforma no Brasil.
Apontado como um dos potenciais riscos para o modelo de negócio da Uber, veículos que dispensam a presença de motoristas voltaram com força à pauta da criadora do aplicativo de caronas nos últimos anos sustentados por aportes bilionários na tecnologia.
Leia mais: R$ 2 bi em cinco anos: o plano da Uber para transformar o Brasil em hub de inovação Um anúncio de março de 2026 dá ideia dos planos.
A Uber anunciou uma parceria com a desenvolvedora de veículos elétricos Rivian para colocar em operação 50 mil veículos autônomos até 2030 em um investimento de US$ 1,25 bilhão.
No primeiro momento, 10 mil desses carros começam a operar em São Francisco e Miami em 2028.
Até 2031, o número total de carros será distribuído em 25 cidades nos Estados Unidos, Canadá e Europa — nada de Brasil.
E um fator econômico explica essa ausência: o custo dos veículos autônomos ainda precisa cair drasticamente para competir com o valor da mão de obra encontrado pela companhia em corridas no Brasil.
Quem conta isso é o próprio presidente e COO da Uber, Andrew Macdonald.
Em uma entrevista ao podcast 20VC na última semana, o executivo disse que, no Brasil, a tarifa média de uma corrida da Uber ronda entre US$ 3,5 e US$ 4.
Em outro dos seus três principais mercados em volume, a Índia, os preços médios vão de US$ 2,5 a US$ 3.
“Levará décadas até que o custo do autônomo comprima ao ponto de competir com esse custo de trabalho humano”, afirmou o executivo.
Em 2024, a Uber estimava que corridas realizadas por humanos nos Estados Unidos geravam um custo cerca de US$ 2 por milha (1,6km) à plataforma.
Apenas os valores relacionados a hardware, operação e gerenciamento de frota de carros autônomos extrapolaria esse patamar — e aí não são contabilizados gastos com marketing, incentivos, pagamentos e jurídico, por exemplo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.