Tata: as 24 horas que detonaram a disputa pelo maior império empresarial da Índia
Pouco antes do meio-dia de 17 de setembro, os conselheiros da Tata Sons, holding do maior conglomerado da Índia, reuniram-se em uma elegante sala no quarto andar da sede da companhia.
De um lado da longa mesa, com capacidade para 20 pessoas, estava Noel Tata, presidente da Tata Trusts, o grupo de instituições filantrópicas que detém 66% da holding que, por sua vez, controla algumas das maiores marcas da Índia, da Air India à Jaguar Land Rover.
Com as mangas arregaçadas e um documento de sete páginas à mão, ele chegou preparado com uma estratégia para manter fechada a empresa que leva o sobrenome de sua família.
Entre os que estavam diante dele encontrava-se Natarajan Chandrasekaran, presidente da Tata Sons, de terno e gravata rosa-fúcsia.
Conhecido como Chandra, Chandrasekaran comandava havia uma década a empresa de capital fechado e havia sinalizado abertura à ideia de levá-la à bolsa.
Mas, depois que sua recondução não conseguiu apoio unânime no início deste ano, decidiu sair em vez de buscar outro mandato.
Ainda assim, aquele não seria o último ato de Chandra.
Em uma decisão surpreendente, os conselheiros da Tata Sons votaram por 4 a 1 para prorrogar seu mandato por mais cinco anos e decidiram avançar com medidas rumo a uma listagem em bolsa — rejeitando a posição de Noel e aprofundando a divisão sobre o controle e o futuro do conglomerado de 158 anos.
O racha desencadeou uma guerra interna que provavelmente chegará aos tribunais da Índia e ao governo do primeiro-ministro Narendra Modi antes de ser resolvida.
Uma linha de batalha clara foi traçada: a Tata Sons considera o assunto encerrado, enquanto a Tata Trusts classifica como “ilegal” a votação que prorrogou o mandato de Chandra.
A controvérsia envolvendo a Tata Sons e o mandato de seu presidente deve alimentar a incerteza sobre a liderança do conglomerado indiano justamente quando o grupo conduz vários projetos emblemáticos para o país.
O Tata Group planeja ampliar a produção local de iPhones da Apple e está construindo a primeira fábrica de chips da Índia.
Os negócios já existentes do grupo estão entre os mais presentes e conhecidos do país, incluindo marcas globais como os hotéis Taj, produtos de consumo como o chá Tetley e a gigante de software Tata Consultancy Services.
A tensão entre os conselheiros vinha crescendo antes mesmo da chegada à reunião na Bombay House, sede do grupo em Mumbai.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.