Vídeo vertical sai do feed e entra no streaming
Neste mês, Disney e TikTok anunciaram um programa que permitirá a criadores autorizados usar ativos de propriedade intelectual de centenas de filmes e séries de Pixar, Marvel, Star Wars, FX e outras marcas. Uma seleção desses vídeos circulará no TikTok e no Verts, a área vertical do Disney+. O piloto começará nos Estados Unidos. Na divulgação do acordo, as empresas não anunciaram novos mercados nem termos financeiros.
O TikTok organiza a relação com os criadores e controla boa parte da descoberta. Os criadores fornecem produção, linguagem de plataforma e contato com as comunidades.
O caso Disney-TikTok mostra que o vertical já se tornou uma camada de distribuição. A tela em pé passou a conectar propriedade intelectual, recomendação, produção de fãs, streaming e comércio.
Em artigo na Variety, Lopez defende a convivência entre telas, num mundo em que o vídeo vertical ainda é tratado como uma versão empobrecida da televisão ou como material promocional destinado a levar o público a outra obra.
Os microdramas são o exemplo mais visível dessa linguagem, mas não representam todo o vertical. Eles combinam episódios curtos, serialização intensa, ganchos frequentes e formas de pagamento próximas às usadas por jogos para celular.
Lopez compara o estágio atual às novelas dos anos 1950. A novela ajudou a formar a televisão e não antecipava esporte ao vivo, reality show, animação adulta ou série de alto orçamento. A comparação abre espaço para imaginar outros gêneros verticais.
A Owl & Co., consultoria de Lopez para empresas de mídia, tecnologia, propriedade intelectual, streaming e negócios de criadores, estima que o vídeo vertical fora da China poderá gerar US$ 150 bilhões no ano, incluindo o Reels.
Para atingir a massa, Disney e TikTok criaram um programa de embaixadores. As empresas prometem recompensas, visibilidade, eventos e caminhos de desenvolvimento profissional. A Disney mantém a propriedade intelectual, escolhe os ativos, controla a curadoria e conecta os vídeos ao catálogo e aos demais negócios da franquia.
O TikTok mantém a relação inicial com os criadores, o sistema de recomendação e os dados de circulação. Os criadores entregam produção, audiência e capacidade de transformar personagens em conversa cotidiana.
A receita trimestral cresceu 7%, para US$ 25,2 bilhões. Esses resultados mostram a capacidade da Disney de movimentar uma franquia entre cinema, streaming, produtos e parques. O acordo com o TikTok acrescenta a produção dos fãs.
O TikTok informa que os usuários publicaram em média 6,5 milhões de posts diários relacionados a cinema e televisão no ano anterior. A empresa afirma que quase metade dos participantes de uma pesquisa assistiu depois a uma obra descoberta no aplicativo.
No Brasil, o Relatório de Impacto do YouTube 2025, informa que o ecossistema criativo da plataforma contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o PIB brasileiro e sustentou mais de 150 mil empregos equivalentes a tempo integral.
Com estimativas da Oxford Economics, o documento afirma que canais brasileiros enviaram mais de 45 milhões de horas de conteúdo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.