Fim do patrocínio das bets é mesmo o maior drama para o futebol brasileiro?
A polêmica em torno da proibição das bets no Brasil converteu os grandes clubes de futebol do país na principal trincheira em defesa do setor apostas.
O argumento inicial utilizado pela cartolagem e pelas plataformas de jogos on-line foi de que o dinheiro desse patrocínio seria o grande responsável por turbinar as finanças de nossas equipes, o que resultaria, entre outras coisas, na hegemonia dos times do país em competições como Copa Libertadores .
LEIA MAIS: Proibição das bets tem guerra de números sobre impactos sociais e econômicos do jogo legalizado LEIA MAIS: Proibição das Bets: Discurso dos clubes sobre “fim do futebol brasileiro” não comove torcedores Pouco interessa que o predomínio dos brasileiros nessa competição já viesse desde 2019 (quando as bets ainda não patrocinavam clube algum), mas apenas em 2023 um time ( Fluminense ) com patrocínio máster de casas de apostas ( Betano ) venceu a competição (e nem tinha o elenco mais valioso).
Fatos à parte, os clubes passaram a defender que, sem o dinheiro das bets, o futebol brasileiro estaria fadado ao ocaso.
Convém perguntar, porém, até que ponto a perda desse patrocínio representa o maior problema para os clubes brasileiros.
Dados recolhidos pela empresa de análise de concorrência FootMonitor trazem um pouco de luz para essa questão.
Neste ano, até antes da Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrar em vigor na última segunda-feira (5), apenas 25% dos 156 clubes que disputam as Séries A, B, C e D do Brasileirão contavam com patrocínio de casas de apostas.
A concentração é maior na Série A, com 14 dos 20 clubes (70%) possuindo parcerias com bets.
Na segunda divisão, o percentual é de 55%, com 11 times bancados por casas de apostas.
Já nas Séries C e D, a presença das bets é ínfima, com índices de 20% e 10%, respectivamente.
Em um mercado que se tornou altamente concentrado após a regulamentação, as plataformas vinham optando por focar em clubes com grandes bases de torcedores e cujos jogos são transmitidos para audiências expressivas.
Os números mostram que o dinheiro das bets ultimamente era direcionado a uma parcela bem restrita da elite nacional, especialmente aos clubes de massa do Sudeste e que estão a todo instante aparecendo na mídia.
Para a imensa maioria dos times do Brasileirão (75%, para ser mais exato), as bets existirem ou não pouco impacta sua realidade financeira.
Renda negativa na bilheteria Outro levantamento do FootMonitor mostra que o buraco nas finanças dos clubes brasileiros é muito mais embaixo, transcendendo a questão do patrocínio máster.
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