Estrangeiro antecipa cautela eleitoral e acelera saída da Bolsa
A tradicional cautela do investidor estrangeiro com o Brasil em períodos pré-eleitorais começou mais cedo em 2026 e ganhou força nas últimas semanas, num movimento que pode indicar que a preocupação com o cenário político e fiscal, até então mais evidente no mercado de juros, começa a contaminar também a Bolsa.
Dados da B3 mostram uma mudança importante no comportamento do capital estrangeiro ao longo do ano.
Depois de um primeiro trimestre de forte ingresso de recursos, o movimento começou a virar ainda no segundo trimestre.
Maio registrou saída líquida de R$ 14,9 bilhões, a maior em quatro anos, e junho teve nova retirada, de R$ 7,8 bilhões .
Em julho, houve algum alívio, com saldo positivo de cerca de R$ 2,3 bilhões.
Agosto, porém, trouxe uma nova mudança de velocidade.
Nos primeiros sete pregões do mês, os estrangeiros retiraram R$ 11,9 bilhões da B3 .
Em poucos dias, portanto, a saída já se aproximou do resultado negativo de todo o mês de maio.
O fluxo acumulado no ano ainda é positivo, graças principalmente às fortes entradas registradas no primeiro trimestre, mas a trajetória mudou claramente.
O comportamento merece atenção porque anos eleitorais costumam trazer maior cautela à medida que o pleito se aproxima.
O investidor passa a exigir mais clareza sobre quem poderá comandar o país, qual será a política econômica e, sobretudo, qual será o compromisso do próximo governo com as contas públicas.
Em 2026, porém, esse processo começou a aparecer antes mesmo de a campanha entrar em sua fase mais intensa.
Já em maio e junho houve retiradas expressivas.
E, ainda em julho, analistas ouvidos pela própria B3 avaliavam que o risco eleitoral não estava totalmente incorporado aos preços e que o prêmio eleitoral tenderia a aparecer mais perto da eleição.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.