Ana Novaes explica papel do FGC: 'Não é regulador, é pagador'
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) não tem papel de regulador e não pode sair alertando o mercado sobre bancos em dificuldade, porque isso pode provocar corrida bancária, disse Ana Novaes no Conselho dos Conselhos , do Canal UOL.
Ex-presidente do conselho do FGC, ela explicou que o fundo atua como garantidor de depósitos e pode, em alguns casos, apoiar instituições com operações de crédito. Mas a supervisão e a intervenção em bancos, segundo ela, cabem ao Banco Central.
O FGC não é regulador, o FGC é pagador. Cabe ao Banco Central regular os bancos. O FGC não tem papel de regulador de banco. Ana Novaes
Novaes disse que seria arriscado o FGC indicar publicamente que uma instituição "está em dificuldades", porque isso tende a acelerar a perda de confiança e o colapso da captação. Ela afirmou que nem o Banco Central faz esse tipo de comunicação direta.
Você já imaginou o risco para o sistema financeiro do FGC dizer que um banco está em dificuldades? Você vai provocar uma corrida bancária. (...) Nem o Banco Central faz isso. Ana Novaes
Na entrevista, ela também comentou que mudanças no estatuto do FGC dependem de concordância do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Para Novaes, propostas como encarecer contribuições de bancos que usam demais a garantia precisam ser avaliadas pelo regulador, inclusive pelos efeitos na concorrência.
O FGC tem um estatuto. Para você mudar o estatuto do FGC, o Banco Central tem que estar de acordo e o Conselho Monetário Nacional tem que estar de acordo. Ana Novaes
A ex-dirigente afirmou que a garantia existe para proteger depositantes e evitar corridas bancárias, e não para "proteger os grandes investidores". Ela disse que, em alguns casos, a forma de oferta de CDBs pode confundir o público, como se o título fosse "emitido pelo FGC".
Novaes defendeu que, se houver necessidade de alertas e educação sobre riscos em produtos bancários, isso deve ser feito pelo distribuidor ou pelo Banco Central. Para ela, não cabe a uma associação privada "dizer que bancos você e o cliente podem investir".
Se alguém tem um papel, ou é o distribuidor, a plataforma, ou é o Banco Central. (...) Certamente não é papel de uma associação privada fazer isso. Ana Novaes
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