Tesouro Direto: atrelados à inflação recuam na contramão dos juros globais; onde investir?
As taxas dos títulos do Tesouro Direto recuaram entre os atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) e os prefixados nesta sexta-feira (4).
O rendimento dos papéis caiu ao longo desta semana com diminuição da remuneração adicional associada ao risco nos vencimentos longos, em meio à perspectiva de juros mais baixos no curto prazo e eleições mais acirradas.
"O Tesouro IPCA+ é mais relacionado a capacidade de pagamento do país e credibilidade dele com relação a dívida pública.
O mercado brasileiro digere a a informação de que o mercado global está precificando os dados do 'payroll', e alinha com as expectativas das eleições", diz Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, para quem há uma melhora das expectativas em relação à política fiscal em um cenário de alternância do governo.
Os prefixados refletem o movimento nos juros futuros com vencimentos mais curtos, visto a maior probabilidade de queda na taxa básica explica Magno.
"Os títulos do Tesouro prefixados com cupom semestral são os papéis que o gringo mais gosta.
Portanto, a queda na taxa pode ser explicada também por uma entrada de capital estrangeiro comprando nossa divida prefixada", diz.
A pesquisa Datafolha, divulgada no final da tarde de ontem, reforçou a leitura de diminuição da distância das intenções de voto em um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Eles estão em empate técnico: o presidente tem 46% e o senador, 44%.
Na última pesquisa, eram 47% e 43%, respectivamente.
O resultado animou investidores com a possibilidade de fortes ganhos no cenário de mudança da política econômica do governo, ao passo que as perdas seriam relativamente menores no cenário de manutenção.
Não foi só entre os títulos públicos que o rali eleitoral deu o tom das negociações na semana.
A perspectiva de uma eleição presidencial mais acirrada deu forte impulso aos ativos brasileiros, com queda dos juros futuros no mercado DI (usado por investidores profissionais), valorização do real frente ao dólar e forte alta na bolsa.
Houve também uma mudança de expectativas em relação a taxa básica de juros, a Selic, desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na segunda-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, com forte desaceleração no consumo das famílias e de serviços.
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