Juiz da Lava Jato é punido por suspeita de furto de champanhe
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, determinou a perda do cargo do juiz Eduardo Appio por suspeita de furtar champanhe em Blumenau (SC). Appio comandou a vara responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba, substituindo Sergio Moro.
A Corte decidiu aplicar a Appio a disponibilidade com proposta de perda do cargo. O julgamento ocorreu ontem.
O Conselho Nacional de Justiça ainda precisa analisar a decisão. Appio estava afastado do cargo desde o final de 2025.
Em 27 de novembro, a Corte Especial Administrativa do TRF-4 manteve o afastamento do magistrado. O tribunal afirmou que a gravidade da conduta atribuída a ele poderia comprometer a idoneidade do Judiciário e o exercício da função.
O UOL não conseguiu contato com Appio. Procurado, o juiz não respondeu. O espaço segue aberto.
Appio ganhou projeção ao assumir a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, antes comandada por Sergio Moro. Ele ficou três meses à frente da vara, berço da Operação Lava Jato, e assumiu processos remanescentes da operação.
Appio foi acusado de furtar garrafas de champanhe Moët & Chandon em mercados de Blumenau (SC). Cada bebida custava R$ 399 no preço promocional.
A primeira ocorrência foi registrada em 20 de setembro, e outras duas teriam ocorrido em 4 e 18 de outubro. A acusação afirma que o juiz escondeu a bebida em uma sacola de compras.
Quando o caso se tornou público, Appio negou o furto e disse que tomaria medidas. "Sempre paguei minhas compras. Tenho comprovante", afirmou, além de chamar a acusação de "fake news".
Durante sua passagem pela vara, Appio fez acusações contra a atuação de Moro e do então procurador da República Deltan Dallagnol. Crítico dos métodos da investigação, afirmava que houve excessos na condução dos processos.
Appio foi afastado da Lava Jato em maio de 2023. O TRF-4 tomou a decisão cautelarmente após a conduta do juiz ser investigada por uma suposta ameaça ao filho do desembargador federal Marcelo Malucelli.
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