Falta de árvores e excesso de concreto: como ilhas de calor deixam bairros de Manaus mais quentes durante o verão amazônico
Sol e calor em Manaus Rede Amazônica O avanço do período mais seco do ano no Amazonas, o chamado "verão amazônico", escancara um contraste de temperaturas marcante no cotidiano da capital do Amazonas.
Enquanto áreas arborizadas conseguem manter climas mais amenos, bairros altamente urbanizados de Manaus enfrentam temperaturas sufocantes por conta do fenômeno das ilhas de calor. 🔍 As ilhas de calor acontecem quando superfícies construídas pelo homem, como asfalto, concreto, telhados e tijolos, absorvem o calor do sol durante o dia e o liberam lentamente para o ambiente.
A falta de vegetação e a pavimentação fazem com que quarteirões inteiros acumulem radiação solar, elevando a temperatura do ar.
Diante desse cenário, a dra.
Luciana Gatti, pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), faz um alerta sobre a necessidade de adaptação urbana.
"Para a nossa sobrevivência, a gente precisa de cidades menos quentes", destaca a pesquisadora.
Segundo a especialista, a explicação para o aquecimento desigual na cidade está no alto nível de urbanização e na impermeabilização do solo.
A intensa concentração de asfalto, concreto e telhados escuros faz com que o ambiente urbano funcione como um acumulador térmico: essas superfícies absorvem a radiação solar ao longo do dia e devolvem a energia na forma de calor, impedindo que os bairros consigam resfriar até mesmo durante a noite. ➡️Como os cientistas medem os 'recordes de calor'? Por que Manaus sente tanto o impacto das ilhas de calor? Calor no busão: altas temperaturas e o calor dentro do transporte público em Manaus Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma combinação de fatores climáticos e de ocupação do solo torna Manaus vulnerável ao acúmulo de calor.
A localização geográfica sob o clima equatorial já impõe, por natureza, taxas elevadas de umidade e alta incidência de radiação solar durante todo o ano.
No entanto, é a transformação do espaço urbano que potencializa o problema.
Impermeabilização do solo: a pavimentação densa sobre antigas áreas verdes impede a infiltração da água da chuva.
Sem água retida no solo para evaporar, a cidade perde o mecanismo natural de resfriamento da terra.
Retenção no asfalto e concreto: a predominância de materiais escuros na pavimentação e nas construções possui baixo índice de refletividade (albedo).
Na prática, o asfalto e o concreto funcionam como 'esponjas térmicas' que absorvem a energia do Sol de dia e a liberam de noite.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Amazonas.