Uma equação para enriquecer o debate sobre o futuro da saúde: eficiência, inovação e sustentabilidade
Em novo artigo, Flavio Devoto aborda a necessidade de sintonizar a inovação no campo da saúde à entrega de qualidade assistencial
Não é uma novidade que o envelhecimento da população acompanhado do crescimento das doenças crônicas e de jornadas complexas tem pressionado sistemas de saúde e todos os atores nele envolvidos. Com esse cenário, a dúvida residual acaba sendo: como entregar inovação, o melhor desfecho assistencial e uma experiência positiva, mas de forma sustentável para o sistema?
Esse debate, quase que de maneira natural, acaba restrito ao campo financeiro – o que esvazia a conversa e nos faz chegar em decisões pouco produtivas. É preciso, sim, ter inteligência financeira, mas isso deve estar sempre aliado à revisão de processos, à maior eficiência, à análise ao uso do tempo dos profissionais envolvidos e à priorização de serviços que, de fato, agreguem valor ao paciente. Nem sempre é sobre ter mais recurso, decisões inteligentes em onde e como alocar recursos existentes.¹
Um artigo recente da Grant Thornton² reforça essa visão ao nos fazer refletir que eficiência em saúde está diretamente ligada à melhoria de processos clínicos e operacionais. A ideia central é simples: a organização precisa funcionar melhor para que o paciente seja atendido com mais qualidade e consistência, evitando rupturas e custos (pessoas e sistêmicos) adicionais. Automatizar tarefas administrativas, revisar fluxos assistenciais, melhorar o uso estratégico de dados e permitir que profissionais atuem com toda sua potencialidade são passos fundamentais nessa jornada.
Nesse contexto, fica praticamente impossível trazer a inteligência artificial para a conversa. Ela pode ajudar (e vem ajudando) a organizar informações, agilizar documentação e apoiar a tomada de decisão na saúde, diminuindo desperdício e otimizando recursos. Porém, especialmente quando falamos de saúde, seu uso exige a ponderação humana e atenção a vieses, a posicionando como uma aliada e nunca como uma substituta.
Um recente estudo da Interfarma³ reforça essas nuances da eficiência, mostrando que as despesas com fraudes e desperdícios é cerca de duas vezes maior que as despesas com medicamentos. Enquanto os medicamentos estão direcionados para maior benefício ao paciente, sendo responsáveis por mais de 50% da sobrevida da população nas últimas décadas, as fraudes e desperdícios na saúde suplementar não agrega valor à jornada do paciente.
Eficiência não é (e não pode ser) contrária à qualidade do atendimento aos pacientes – afinal, um sistema mais eficiente abre diferentes espaços e oportunidades para melhorar o cuidado. Um relatório da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) passa pelo aumento da expectativa de vida nas Américas, chamando atenção para o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis. De acordo com o órgão, essas condições são a principal causa não só de morte, como também de incapacidade, trazendo, ainda, diferentes limitações ao cotidiano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.