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Economia

Em dia de decisões de juros no Brasil e nos EUA, dólar abre a R$ 5,15

UOL Economia ·
Em dia de decisões de juros no Brasil e nos EUA, dólar abre a R$ 5,15

Super quarta-feira de decisões de juros move mercados; dólar abre em queda ante real

Esta quarta-feira marca um momento de particular importância para os investidores brasileiros e globais. Em uma rara coincidência de calendários monetários, tanto o Banco Central do Brasil quanto o Federal Reserve americano se reúnem no mesmo dia para definir suas respectivas taxas de juros. O evento, popularmente chamado de "super quarta-feira", tende a provocar movimentação nos mercados de câmbio e de ações, uma vez que as decisões de política monetária impactam diretamente os fluxos de capital entre os países. Nesta manhã, o dólar abriu a sessão cotado a R$ 5,15, refletindo uma leve desvalorização frente ao real. No mercado comercial, a moeda americana é negociada para venda a R$ 5,145, o que representa uma queda de 0,19% em relação ao fechamento do pregão anterior, quando tinha subido ante a moeda brasileira.

Enquanto isso, os indicadores de bolsa de valores mostram movimento altista em diferentes regiões do globo. Nas operações do pré-mercado de Nova York, os índices acionários futuros apontam altas, assim como as principais praças europeias e asiáticas também registram ganhos em suas sessões respectivas. Contudo, há um clima de cautela entre os operadores, que ajustam cuidadosamente suas posições conforme aguardam os anúncios das duas autoridades monetárias.

Federal Reserve deve elevar os juros pela primeira vez sob nova liderança

A expectativa predominante nos mercados é que o Federal Reserve anuncie um aumento nas suas taxas de referência. De acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, aproximadamente 92,5% dos analistas consultados apostam na elevação de 0,25 ponto percentual. Essa mudança levaria a faixa de juros americanos dos atuais 3,50% a 3,75% ao ano para o patamar de 3,75% a 4% ao ano.

O anúncio seria particularmente significativo por representar o primeiro movimento de aperto monetário promovido pelo banco central norte-americano desde a chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed. Warsh foi indicado por Donald Trump para o cargo e já tinha manifestado publicamente que teria tarefas importantes a cumprir, especialmente caso as projeções sobre a trajetória futura da inflação não apresentassem recuos satisfatórios. Antes dessa possível elevação, a taxa havia permanecido estável durante os encontros que ocorreram entre janeiro e junho deste ano. Essa estabilização veio após um período de três cortes consecutivos realizados entre setembro e dezembro de 2025, quando o banco central americano estava reduzindo gradualmente os juros.

Os títulos da dívida pública americana têm refletido essas expectativas de alta de juros. Os rendimentos desses títulos encontram-se em patamares não vistos desde 2007, quando a última crise financeira global ainda não tinha eclodido. Segundo análises de profissionais do mercado, as tensões geopolíticas na região do Oriente Médio alimentam preocupações sobre a disponibilidade de energia e seus efeitos sobre os preços, o que por sua vez amplifica os riscos inflacionários. Esse cenário de pressões inflacionárias resistentes torna mais provável que a autoridade monetária americana efetivamente proceda com o aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros.

Banco Central brasileiro segue seu próprio caminho com novo corte nos juros

Enquanto o Federal Reserve trabalha para conter a inflação elevando juros, o Banco Central do Brasil trilha um caminho oposto. Existe uma expectativa praticamente unânime entre os agentes do mercado financeiro de que o Copom, a sigla para o Comitê de Política Monetária, anuncie uma redução na taxa Selic. A expectativa é que ela caia de seu patamar atual de 14% ao ano para 13,75% ao ano, representando um corte de 0,25 ponto percentual.

Se confirmada essa redução, representará o quinto corte sucessivo nessa sequência de afrouxamento de juros que começou em março passado, com novas decisões sendo tomadas a cada 45 dias. Essa trajetória descendente dos juros reflete uma mudança na conjuntura econômica brasileira. Embora a taxa brasileira ainda permaneça em um patamar elevado, mesmo após a redução esperada, ela segue próxima dos maiores níveis registrados nos últimos vinte anos. Além disso, continua sendo uma das taxas de juros mais elevadas entre as principais economias mundiais, refletindo o perfil de risco ainda elevado associado ao Brasil.

Contexto: por que Brasil e EUA seguem estratégias monetárias opostas

Os caminhos divergentes dos dois bancos centrais nesta super quarta-feira não refletem capricho ou falta de coordenação, mas sim a realidade diferente vivenciada pelas duas economias no presente momento. O Brasil enfrenta uma situação econômica particular que permite e justifica o afrouxamento de juros. Primeiramente, o país partiu de uma base de juros já muito mais elevada que a maioria das nações. Quando a inflação brasileira disparou acima de suas metas em 2024, o Banco Central foi forçado a agir primeiro entre os grandes bancos centrais do mundo, iniciando um processo de aperto monetário robusto.

Desde então, a economia brasileira conseguiu fazer progresso no controle inflacionário, com as expectativas de preço voltando a se aproximar das metas. Além disso, há sinais de desaceleração na atividade econômica do país. Essa combinação de inflação mais controlada e crescimento mais modesto permitiu à autoridade monetária brasileira começar a liberar suas restrições, reduzindo gradualmente a taxa básica de juros sem comprometer a estabilidade de preços.

A situação americana é praticamente o oposto. O Federal Reserve enfrenta pressões inflacionárias que ainda se localizam acima de suas metas, apesar dos esforços já empreendidos. Além disso, a economia americana ainda apresenta dinamismo e resiliência, o que significa que há menos necessidade de estímulo monetário. Para complicar o cenário, choques externos relacionados ao preço da energia têm potencial de contaminar as expectativas de inflação dos agentes econômicos. O aumento nos custos de petróleo representa uma ameaça concreta ao controle de preços.

Portanto, ambas as nações enfrentam o mesmo barril de petróleo caro e as mesmas preocupações com energia, mas partem de posições econômicas completamente diferentes. O Brasil reduz juros porque construiu fortalezas no combate à inflação e porque sua economia necessita de estímulo. Os Estados Unidos aumentam juros porque estão em posição diferente no ciclo econômico e inflacionário, necessitando de aperto para conter pressões de preço e evitar que as expectativas desancorem.

O que acompanhar

Os anúncios de hoje das duas autoridades monetárias estabelecerão o tom para os próximos meses de operações nos mercados financeiros globais. Investidores acompanharão atentamente as comunicações dos dirigentes de ambos os bancos centrais para captar sinais sobre seus planos futuros. A reação dos mercados aos anúncios, tanto em termos de movimentação do dólar quanto de comportamento dos índices acionários, fornecerá pistas sobre como os profissionais de investimento estão interpretando o panorama econômico global. Também será fundamental observar se as tensões no Oriente Médio ganham mais relevância nas comunicações do Fed, indicando preocupações crescentes sobre estabilidade de energia. Por fim, qualquer surpresa nas comunicações do Banco Central brasileiro sobre o futuro do ciclo de cortes de juros poderá impactar significativamente o fluxo de capital internacional e a cotação do dólar frente ao real.

Principais pontos:

• Dólar abre em queda a R$ 5,15, caindo 0,19% ante o real, em dia de decisões simultâneas de juros no Brasil e Estados Unidos.

• Federal Reserve deve elevar juros em 0,25 ponto percentual para a faixa de 3,75% a 4%, primeiro aumento sob liderança de Kevin Warsh, com 92,5% de probabilidade.

• Banco Central brasileiro deve cortar a Selic de 14% para 13,75% ao ano, marcando a quinta redução consecutiva iniciada em março.

• Economias seguem caminhos opostos: Brasil reduz juros porque controlou inflação e necessita estímulo, enquanto EUA aperta política para conter pressões inflacionárias ainda presentes.

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Resumo reescrito automaticamente pelo 5News a partir da matéria original. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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