"Medo de morrer igual à minha irmã": mulher alega legítima defesa ao matar ex
"Achei que ele ia pegar um canivete para me matar." Foi com essa justificativa, tomada pelo medo de ter o mesmo fim da irmã assassinada há um mês, que Nathaly Rodrigues Nogueira, de 24 anos, prestou depoimento à Polícia Civil após matar o ex-companheiro, Erismar Plácido Ferreira, de 34 anos, na madrugada desta quarta-feira (9), em Rio Verde de Mato Grosso, cidade a 203 quilômetros de Campo Grande.
Em depoimento prestado à delegada Danielle Felismino, Nathaly afirmou ter agido em legítima defesa por medo de ser mais uma vítima de feminicídio.
A preocupação da jovem tem fundamento na história recente da família: ela é irmã de Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, morta a facadas pelo companheiro no dia 6 de agosto deste ano, também no município.
Segundo o relato de Nathaly, as ameaças de Erismar eram frequentes e, por conta do trauma com a morte da irmã, ela passou a andar com uma faca para se proteger.
"Eu andava com a faca no sutiã porque tinha muito medo do que ele podia fazer comigo”, disse a jovem.
Horas antes do crime, a Polícia Militar já havia sido acionada para conter uma briga do casal em via pública, onde a investigada relatou ter sido agredida pelo ex-marido.
A guarnição realizou buscas, mas não encontrou o homem; em seguida, conduziu a mulher ao hospital e a acompanhou até em casa.
Mais tarde, Nathaly foi a um bar com amigas.
Por volta das 3h10, Erismar surgiu no local e deu início a uma nova discussão cobrando as chaves da residência.
A jovem relatou aos policiais que, no meio do desentendimento, acreditou que o ex-companheiro sacaria um canivete para atacá-la e, desesperada com a possibilidade de morrer igual à irmã, puxou a faca do sutiã e desferiu um golpe no peito do homem.
“Pensei que ele estava armado, achei que ia puxar um canivete.
Fiquei desesperada".
Apesar da versão de legítima defesa apresentada por Nathaly, a perícia técnica não encontrou nenhuma arma com a vítima, apenas uma carteira com documentos pessoais.
Erismar chegou a caminhar por alguns metros após ser atingido, mas caiu na via pública e faleceu antes da chegada do socorro.
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