Nova técnica pode desobstruir artérias calcificadas sem uso de stent
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A calcificação das artérias coronárias é um dos indicadores de maior risco quando se trata da saúde do coração . Estima-se que a associação do cálcio com o acúmulo de gordura ao longo dos anos ocorra em nove de cada 10 pacientes com aterosclerose . Ainda que não tenha sintomas aparentes, esse processo obstrui os vasos, tornando-os mais rígidos, e aumentacmuito o risco de complicações como o infarto .
Tratar a calcificação, portanto, é um dos focos da cardiologia intervencionista, mas isso pode trazer desafios, especialmente no caso de artérias pequenas. Entram nessa categoria aquelas com um diâmetro menor que 3 milímetros, o tamanho aproximado de um grão de sal grosso. No caso delas, o uso de stents —abordagem mais comum para desobstrução— pode trazer complicações na cicatrização que, por vezes, comprometem o resultado da intervenção.
Foi pensando em alternativas para evitar esses problemas que médicos do Einstein Hospital Israelita começaram a estudar uma nova técnica terapêutica. Criada em parceria com pesquisadores da Universidade de Verona, na Itália , ela não utiliza stent para tratar as placas de gordura calcificadas e se mostrou eficaz e sujeita a poucas complicações no médio prazo, como a reobstrução.
"Os stents coronários são muito importantes na medicina , mas parte dos pacientes pode apresentar novas obstruções no mesmo local tratado e, nesses casos, ter o stent já instalado pode ser um complicador. Por isso, ter outra forma de tratar a aterosclerose e sua calcificação é um horizonte tão animador para nós", resume o cardiologista intervencionista Guy Fernando de Almeida Prado Junior, que atua no Einstein e participou do desenvolvimento da técnica.
A alternativa criada pelos médicos brasileiros para combater a calcificação combina duas técnicas. Primeiro, é feita uma litotripsia intravascular, na qual, por meio de um balão, são emitidas ondas sonoras que fraturam o cálcio e, assim, aumentam a elasticidade da artéria.
A lisantropia intravascular utiliza o mesmo princípio físico do tratamento empregado para fragmentar cálculos renais. Em seguida, com o vaso já desobstruído, utiliza-se um balão farmacológico, que libera medicamentos na parede da artéria para reduzir o risco de novas obstruções decorrentes do processo de cicatrização do vaso, não sendo necessário, portanto, o uso de stents.
A abordagem foi aplicada em 50 pacientes no Brasil e na Itália, e os resultados foram apresentados em maio no EuroPCR, em Paris , durante uma sessão de destaque do congresso, que é um dos maiores do mundo na área da cardiologia. Com a técnica, foi possível tratar as artérias de 88% dos pacientes. Além disso, não foram observadas complicações e, no acompanhamento realizado com os voluntários seis meses após o procedimento, os resultados obtidos com a técnica se mantiveram.
A combinação de técnicas proposta pelos brasileiros trouxe indícios de que é possível dilatar e manter a artéria calcificada aberta sem deixar material permanente no organismo.
"Embora o termo descalcificação seja frequentemente utilizado, ele não explica tão bem a técnica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.