Espermatozoides de vários artrópodes não correm sozinhos e formam equipes microscópicas que evoluíram repetidas vezes ao longo de centenas de milhões de anos
Análise de centenas de espécies revela que grupos de espermatozoides surgiram, desapareceram e evoluíram novamente em diferentes artrópodes
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR A imagem clássica da fertilização mostra milhões de células disputando individualmente a chegada ao óvulo, mas a evolução produziu estratégias muito mais variadas. Em diferentes artrópodes, espermatozoides podem permanecer fisicamente unidos e atuar como grupos , fenômeno conhecido como conjugação espermática . Uma análise abrangente publicada em 2026 revelou que essa organização surgiu, desapareceu e reapareceu repetidamente durante centenas de milhões de anos.
Pesquisadores reuniram informações sobre a ultraestrutura dos espermatozoides de 621 espécies, incluindo artrópodes e alguns ecdisozoários usados como grupos externos. Foram analisados insetos, aracnídeos, crustáceos e miriápodes, permitindo reconstruir a distribuição dessas estruturas em uma árvore evolutiva calibrada no tempo.
Nem todas as equipes microscópicas possuem a mesma arquitetura. Algumas são simples agregações, enquanto outras organizam as células em pares, fileiras extremamente regulares ou estruturas nas quais dezenas ou centenas de espermatozoides ficam presos a materiais produzidos pelo sistema reprodutor masculino.
O estudo classificou cinco grandes configurações. A diversidade mostra que diferentes linhagens chegaram independentemente a soluções semelhantes, e não que todos os artrópodes tenham herdado uma única organização complexa de um ancestral remoto.
Este vídeo divulgado pela Syracuse University mostra diretamente espermatozoides conjugados em movimento.
As reconstruções indicam que os espermatozoides não conjugados provavelmente eram a condição ancestral dos artrópodes. Entretanto, uma forma de agregação pode ter surgido na linhagem relacionada aos hexápodes e remípedes entre aproximadamente 452,6 e 508,5 milhões de anos atrás, abrangendo períodos do Cambriano e Ordoviciano.
O mais surpreendente é a frequência das mudanças posteriores. Dependendo do modelo utilizado, a característica foi adquirida independentemente dezenas de vezes e também perdida repetidamente. Em uma análise binária, os pesquisadores estimaram aproximadamente 45 ganhos e número semelhante de perdas ao longo da história evolutiva estudada.
Um componente importante é o chamado material associado aos espermatozoides, ou SAM na sigla inglesa. Trata-se de material extracelular produzido pelo macho que pode aderir às células, reuni-las ou formar estruturas especializadas, como bastões aos quais vários espermatozoides se prendem.
O estudo publicado na Nature Communications indica que o aparecimento desse material frequentemente precedeu a evolução das associações entre células. Mais tarde, sua modificação teria contribuído para produzir diferentes arquiteturas reprodutivas em linhagens distantes umas das outras.
As simulações indicaram que linhagens analisadas passaram aproximadamente dois terços de sua história evolutiva com espermatozoides conjugados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.