Goiás sofre com elevada concentração de laboratórios clandestinos de drogas
Goiás não é só o segundo maior polo farmacêutico e de medicamentos genéricos do Brasil.
Um levantamento identificou 125 laboratórios de processamento de outro tipo de drogas ilícitas, no caso, cocaína, entre 2019 e julho de 2025, o maior número registrado entre os estados brasileiros no período.
Do total, 31 foram classificados como de “varejo”, 50 como de “atacado” e 44 não puderam ser enquadrados devido à falta de informações.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Fogo Cruzado , em parceria com a “Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas” e outras organizações, por meio do relatório intitulado “Floresta em Pó” .
Os laboratórios localizados em Goiás representam 23% dos 550 identificados em todo o país.
Esses dados contrariam a máxima de que o estado conseguiu se livrar dos comandos criminosos através de políticas públicas de segurança pública do governo Caiado.
De acordo com os autores do estudo, a posição geográfica de Goiás desempenha papel estratégico na cadeia logística do narcotráfico, favorecendo o processamento, a redistribuição e o escoamento da cocaína para outras regiões do Brasil e para o mercado internacional.
Esse contexto ajuda a explicar a elevada concentração de laboratórios clandestinos no estado.
O relatório aponta, ainda, que Goiás concentra 44 laboratórios de grande capacidade produtiva, sendo 20 destinados ao refino e 24 voltados à adulteração, conhecida como “engorda”.
Segundo o estudo, essas estruturas atendem a duas dinâmicas distintas do mercado de cocaína.
Parte da pasta base que ingressa no Brasil pelas fronteiras de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul é encaminhada para refinamento em Goiás antes de seguir para portos do Nordeste e do Sudeste.
Já os laboratórios de adulteração abastecem o mercado varejista de crack e cloridrato de cocaína em Goiás e nos estados vizinhos, especialmente no Distrito Federal.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirmou que o elevado número de laboratórios identificados reflete, em grande medida, a atuação das forças de segurança na localização e desarticulação dessas estruturas criminosas.
A pasta também destacou a integração entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Goiás (FICCO/GO) no enfrentamento ao tráfico de drogas.
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