Discord acusa Telegram e TikTok em caso que provocou morte de adolescente em MS
O Discord informou ao governo federal que há indícios de que os atos que culminaram na morte de uma adolescente de 13 anos de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, podem ter sido articulados previamente ou de forma paralela em outras plataformas digitais, especialmente Telegram e TikTok.
Segundo documento encaminhado pela empresa às autoridades, a existência de interações fora do Discord ajudaria a explicar por que os sistemas internos da plataforma não identificaram o risco de forma imediata antes da transmissão que teria envolvido a adolescente.
A empresa afirmou que a menção a outras plataformas não tem como objetivo afastar responsabilidades, mas delimitar tecnicamente quais informações estavam disponíveis para seus sistemas de monitoramento.
No documento, o Discord declarou que a análise da atuação em outros ambientes digitais é importante para reconstruir a cronologia dos fatos e entender quais sinais poderiam ter sido identificados antes do episódio.
O TikTok negou que tenha ocorrido qualquer atividade de coordenação relacionada ao caso dentro de sua plataforma.
Em nota, a empresa afirmou que realizou buscas sobre o episódio e não encontrou indícios de que o incidente tenha sido articulado pela rede social ou que usuários tenham sido direcionados por meio dela para participar das ações investigadas.
A Folha de São Paulo não conseguiu localizar representantes do Telegram para comentar as afirmações feitas pelo Discord.
A investigação ganhou repercussão nacional após a morte da adolescente, em Naviraí, e passou a envolver órgãos do governo federal diante de suspeitas de que jovens teriam utilizado ambientes virtuais para manipular a vítima, inclusive durante uma transmissão ao vivo pelo Discord.
Na quarta-feira, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou que o Discord suspenda temporariamente as transmissões ao vivo e recursos semelhantes de compartilhamento de vídeo no Brasil.
A medida foi tomada após o caso e deverá ser cumprida pela empresa em três dias úteis.
As funcionalidades só poderão retornar após a comprovação de medidas consideradas efetivas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes.
A decisão da agência não determina a retirada completa do Discord do ar.
Os demais serviços da plataforma continuam disponíveis.
Identificação do sistema - Em documento enviado ao governo federal, o Discord admitiu que havia sinais de risco relacionados à transmissão que teria culminado na morte da adolescente, mas afirmou que esses sinais não foram suficientes para gerar um alerta confiável pelos mecanismos internos da empresa.
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