Após Janja defender suspensão, Discord desativa lives e chamadas de vídeo no Brasil
O Discord suspendeu, nesta segunda-feira (17), seus recursos de vídeo no Brasil para cumprir uma determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Com a medida, usuários brasileiros deixaram de ter acesso às transmissões ao vivo, às chamadas de vídeo e ao compartilhamento de tela.
A decisão havia sido determinada pela ANPD na última quarta-feira (12), com prazo de três dias úteis para implementação.
A medida é preventiva e foi adotada dentro de um processo de fiscalização aberto para investigar possíveis falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes e no cumprimento das regras do ECA Digital.
Segundo a agência, foram identificados indícios de que as medidas adotadas pelo serviço seriam insuficientes para prevenir a exposição de menores a conteúdos e práticas envolvendo violência, automutilação e suicídio.
A fiscalização ganhou força após a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, no Mato Grosso do Sul, em julho.
Segundo as investigações, a jovem teria sido coagida por integrantes de um grupo online e incentivada a comportamentos de automutilação e suicídio.
Parte das interações teria ocorrido dentro do aplicativo, incluindo uma transmissão realizada em um grupo privado.
Para saber mais: o Discord é uma plataforma de comunicação criada inicialmente para o público gamer, mas que hoje reúne comunidades dos mais diversos temas.
O serviço permite trocar mensagens, participar de servidores e canais, fazer chamadas de voz e vídeo, além de compartilhar a tela e realizar transmissões ao vivo.
O episódio deu origem à “Operação Lívia”, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio de outros órgãos.
A investigação apura a atuação de uma rede que utilizava plataformas digitais para se aproximar de jovens em situação de vulnerabilidade e submetê-los a práticas de manipulação psicológica, humilhações e desafios violentos.
As autoridades também investigam a possível existência de outras vítimas e o uso de diferentes plataformas para organizar e compartilhar conteúdos produzidos pelo grupo.
Suspeitos de diferentes idades foram identificados durante a operação, incluindo adolescentes.
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