Angélique Kidjo recebe estrela na Calçada da Fama de Hollywood e entra para a história da música africana
A cantora beninense Angélique Kidjo viveu nesta terça-feira (18), uma consagração histórica ao inaugurar sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em Los Angeles. Aos 66 anos, ela se tornou a primeira cantora africana a receber a honraria na prestigiada "Walk of Fame".
"Se me dissessem um dia que eu estaria na Walk of Fame de Hollywood , eu nunca teria acreditado", afirmou em entrevista à RFI , ainda emocionada, logo após a homenagem. Para ela, essa conquista revela o poder da música, que é capaz de levar as pessoas a lugares inesperados e tornar possíveis acontecimentos que pareciam improváveis.
Durante sua carreira, Kidjo consolidou-se como uma das vozes mais icônicas da música africana, com sucessos que atravessaram fronteiras. Entre suas canções mais conhecidas mundialmente estão "Agolo" , um hino afrobeat que celebra a cultura beninense; "Wombo Lombo" , uma fusão vibrante de ritmos africanos e pop; e "Afirika" , uma homenagem ao continente africano. Além disso, seu álbum "Djin Djin" (2007), que contou com participações de estrelas como Alicia Keys e Joss Stone, rendeu-lhe um Grammy de Melhor Álbum de World Music Contemporânea.
Ao inaugurar sua estrela em Los Angeles, Kidjo fez uma homenagem às suas origens e ao continente africano. A cantora destacou a dimensão simbólica da homenagem em um contexto global que considera difícil.
"Neste caos em que vivemos, há momentos como este, que me dão esperança, para mostrar que, quando trabalhamos juntos e deixamos de lado os discursos de ódio e divisão, criamos beleza em toda parte. O mundo precisa de beleza", afirmou.
Questionada sobre a mensagem que gostaria de transmitir às cantoras e musicistas africanas que sonham em alcançar projeção internacional, Kidjo destacou a relação de troca que mantém com as novas gerações de artistas. Segundo ela, sua música influenciou e inspirou muitos jovens ao longo dos anos, mas hoje são esses artistas que a inspiram em troca. "É um círculo virtuoso", resumiu.
A artista defendeu a continuidade do trabalho de promoção da música africana e afirmou que ela deve estar presente e ser celebrada em todos os cantos do mundo.
Kidjo também destacou a importância da França em sua trajetória. Ela lembrou que retomou sua carreira no país em 1983, e explicou que construiu boa parte de sua vida na nação europeia, onde passou muitos anos e se casou com um francês.
Acrescentou ainda que a cultura francesa teve papel fundamental em suas inspirações artísticas, citando compositores e intérpretes como Claude Nougaro e Charles Aznavour, além de outros artistas que ouvia na infância e que a acompanharam ao longo de sua trajetória. "Essa estrela não é apenas para a África e para o meu país, mas também para a França", declarou.
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