O que motivou a operação que mira Milton Leite e o PCC nos ônibus de SP
A Operação Vectura Corrupta mira a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus e no poder público, e tem o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) entre os alvos.
A investigação apura a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista. O MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) cita atuação da facção criminosa em empresas de ônibus e em estruturas do poder público.
Justiça autorizou a operação justamente para continuar as investigações. A decisão foi do desembargador Sergio Ribas, do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), atendendo pedido do MP-SP e da Polícia Civil. Investigadores dizem que a maioria dos alvos exerce função de liderança dentro de organização criminosa.
Mandados atingem cidades da Grande São Paulo e do litoral. As ordens judiciais são cumpridas na capital, em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
No total, dez pessoas já foram presas ao longo do dia. A polícia cumpre, no total, 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.
Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é alvo de prisão temporária e é considerado foragido. Também aparecem como alvos o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira e o candidato a deputado estadual Danilo Marco Morgado Silva (PL), entre outros investigados.
Decisão do TJ-SP menciona Milton Leite como "responsável direto" por operações de empresas controladas pelo PCC. O texto afirma que ele é citado nominalmente diversas vezes e também registra declarações de policiais militares, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, de que ele seria o dono de fato da Transwolff.
Outros nomes citados incluem Paulo Korek, presidente do Água Santa, e Carla de Paula Muller. Carla é apontada como mulher de Antônio José Muller Junior, o "Granada", citado pelos investigadores como liderança do PCC.
Investigação aponta que Levi de Oliveira teria se encontrado com um intermediário do PCC quando presidia a SPTrans. O objetivo, segundo a apuração, seria tratar de interesses da facção ligados a empresas de transporte, especialmente após a Operação Fim da Linha.
Transwolff é citada no centro das suspeitas e já foi alvo de outra operação em 2024. A empresa foi investigada na Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024, e teve o contrato rescindido pela Prefeitura de São Paulo em janeiro de 2025.
Ministério Público diz que o esquema teria alcance amplo no setor. O MP afirma que laranjas ou interlocutores do PCC controlavam 12 das 22 empresas de transporte da cidade de São Paulo e usavam esses representantes para influenciar contratos do transporte público.
Promotoria descreve uso de empresas e transações para movimentar dinheiro do crime. A apuração cita negociação de vendas de ônibus para fazer o dinheiro circular e uma divisão de tarefas, com comissões para mascarar outros negócios do PCC, usando as empresas como fachada.
Sete empresas são citadas nominalmente como ligadas ao esquema, segundo o MP-SP.
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