Por que Corinthians desistiu de renovar com Memphis mesmo após jogador aceitar redução salarial
A pressão política que sofreu o presidente Osmar Stabile foi determinante para o dirigente desistir de renovar o contrato de Memphis Depay. A decisão, comunicada oficialmente pelo Corinthians na tarde desta terça-feira, 11, encerra uma novela que durou meses e frustra grande parte da torcida, que esperava que o astro holandês permanecesse no clube.
No Parque São Jorge, uma ala contrária à permanência do holandês no clube, da qual fazem parte inclusive integrantes da base de apoio do próprio mandatário, fez forte pressão para o presidente mudar de ideia e abrir mão do jogador.
Lideranças influentes do clube e pessoas próximas a Stabile deixaram claro ao cartola que "largariam a mão" do presidente caso a renovação com o jogador fosse concretizada. Parte dos conselheiros e opositores enxergava o contrato do holandês como um símbolo de irresponsabilidade financeira, enquanto a outra já demonstrou insatisfação pelo fato de o atleta não ter "papas na língua" para criticar a gestão do clube.
Stabile considerou o que pensam os dirigentes, uma vez que tem pretensões eleitorais. Ele deve concorrer à reeleição à presidência em novembro deste ano. Em meio a uma complexa disputa política interna, o cartola decidiu sobreviver politicamente e frustrar a torcida.
A expectativa inicial era que Memphis logo assinasse o novo acordo. As conversas entre a diretoria e o estafe do atacante duraram meses. Tudo chegou a ser acertado. Tempo de contrato, salário, cláusulas e outras exigências contratuais. Até pelos exames médicos o atacante passou e foi aprovado.
Para continuar jogando no Corinthians, Memphis concordou em reduzir praticamente pela metade do salário de R$ 3,5 milhões que recebia.
A dívida de R$ 42 milhões que o clube tem com ele por bônus e luvas seria diluída no novo contrato, de maneira parcelada, com início do pagamento em 2027. O Estadão apurou que o novo acordo previa um salário mensal de aproximadamente R$ 1,9 milhão.
O vínculo ainda descartava moradia e motorista particular. No entanto, Memphis deveria receber uma ajuda de custo. Anteriormente, o clube do Parque São Jorge arcava com um custo mensal de cerca de R$ 250 mil pela hospedagem no hotel de luxo Rosewood, em São Paulo. O gasto gerou debates na diretoria devido à crise financeira e à dívida acumulada com o atleta.
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