Ir atrás de Lulinha na Espanha é a nova “mesa de dinheiro do dossiê” de 2006
A história política brasileira carrega uma constância incômoda: sempre que um pleito presidencial se aproxima e os setores progressistas mantêm a preferência popular, aciona-se nas engrenagens da imprensa corporativa e da extrema direita uma fábrica subterrânea de “escândalos” confusos.
Não se trata de jornalismo investigativo voltado ao interesse público, mas de um método calculado de guerra de informação.
Uma descoberta da Fórum nos últimos dias revela o capítulo mais recente dessa engrenagem: uma tradicional e antiga publicação semanal de perfil historicamente antipetista e um portal digital mais novo, de grande alcance, umbilicalmente alinhado ao bolsonarismo, enviaram equipes de reportagem à Espanha.
O objetivo do desembarque europeu não é cobrir fatos novos ou reais, mas montar uma encenação de perseguição às vésperas da eleição presidencial, tendo como alvo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Residindo legalmente no país europeu, o empresário não responde a nenhum processo, não tem condenação, não possui ordens de prisão e transita em absoluta liberdade sem qualquer impedimento judicial no Brasil ou no exterior.
Contudo, no xadrez eleitoral do país, a presença provocativa de repórteres em solo espanhol cumpre uma missão encomendada por setores da oposição: criar um espetáculo de intimidação para resgatar ilações, desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tentar alavancar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
A escolha de Lulinha como bode expiatório não é fortuita nem recente.
Há pelo menos 12 anos, o empresário foi transformado no “dispositivo contaminante” perfeito para a oposição e para a mídia tradicional.
Na impossibilidade de desconstruir o legado político de seu pai no debate direto, criou-se em torno do filho um ecossistema de lendas urbanas mambembes e difamação sistemática.
Desde meados dos anos 2010, o imaginário conservador foi alimentado com mentiras grotescas: a apócrifa “Ferrari de ouro”, a colossal fazenda imaginária no Mato Grosso que supostamente seria “do tamanho de um estado”, e a farsesca acusação de que ele seria o verdadeiro proprietário oculto do conglomerado alimentício Friboi.
Nenhuma dessas histórias tinha pé nem cabeça ou qualquer respaldo na realidade, mas funcionaram como combustível para sangrar a família do presidente na arena pública.
Ainda assim, nunca impediram vitórias dele ou de sua indicada, a ex-presidenta Dilma Rousseff.
O elemento mais escandaloso dessa perseguição é que, ao longo de quase uma década e meia de devassas fiscais, quebras de sigilo, inquéritos policiais e comissões parlamentares, jamais se apresentou uma acusação formal de crime, uma denúncia objetiva ou uma única prova de corrupção contra Lulinha.
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