Plano ousado de Zuckerberg para substituir equipe da Meta por IA desmoronou
NOVA YORK, 26 Ago (Reuters) - O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, e seus principais colaboradores se reuniram em janeiro para o retiro anual de liderança em sua propriedade no Havaí. Lá, eles elaboraram um plano radical para repensar o trabalho na gigante das mídias sociais na era da inteligência artificial.
Com o codinome Projeto OT -- abreviação de Transformação Organizacional, em inglês --, o plano previa um futuro orientado por IA para a empresa proprietária do Facebook e do Instagram. A IA assumiria grande parte do trabalho diário realizado por milhares de funcionários humanos. Os trabalhadores virtuais seriam supervisionados dentro da Meta por equipes menores e “ricas em talentos” de funcionários humanos, de acordo com um documento interno de planejamento analisado pela Reuters e com três pessoas familiarizadas com o projeto.
Em exercícios de planejamento de cenários, disseram duas dessas pessoas, os executivos exploraram a possibilidade de reduzir o tamanho de muitas equipes na Meta em até 60%. A alguns funcionários seriam oferecidas funções em novas unidades, enquanto outros seriam demitidos como parte de uma redução de pessoal que, segundo a projeção de um executivo de recursos humanos, seria tão grande ou maior do que os cortes de cerca de 25% realizados pela empresa há três anos, de acordo com outro documento interno.
A reestruturação seria realizada em duas “ondas”, com a primeira começando com demissões em massa em maio, seguida por outra reorganização em novembro, conforme documentos internos de planejamento analisados pela Reuters.
As demissões em massa seriam complementadas com o encerramento de vagas em aberto e a saída de pessoas que a Meta considerava de baixo desempenho. Esses e outros detalhes do plano, incluindo a escala da reestruturação, não haviam sido divulgados anteriormente.
Mas, na noite de 19 de maio, poucas horas antes da primeira onda de demissões em massa, Zuckerberg recuou. A Meta demitiu 10% de seus funcionários no dia seguinte, mas cancelou os planos para os cortes de novembro, de acordo com um documento interno analisado pela Reuters.
Naquela altura, os funcionários da Meta já estavam em revolta aberta, convencidos de que as iniciativas de transformação em IA da empresa tinham, em parte, o objetivo de substituí-los. Dados internos também sugeriam que a tecnologia de agentes de IA autônomos, que constituía o cerne da estratégia, não estava gerando os ganhos de produtividade esperados. Alguns investidores questionavam o que a Meta tinha a mostrar em troca de seus gastos gigantescos com IA.
Esta reportagem revela pela primeira vez o ritmo acelerado dos cortes que a Meta estava considerando, o raciocínio por trás dos planos e como eles rapidamente desmoronaram.
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