Charleaux: Na ONU, Lula terá que se equilibrar entre agendas contraditórias
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Lula chega à Assembleia Geral da ONU em uma posição "delicada" e vai precisar equilibrar interesses contraditórios entre o discurso de campanha e o papel de presidente, avaliou o colunista João Paulo Charleaux no Pulso Político , do Canal UOL.
O presidente desembarcou em Nova York para fazer o tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral, em uma viagem que ocorre a poucos dias da eleição e deve ter encontros paralelos com lideranças políticas, segundo relato feito no programa.
Lula está numa situação delicada nesse discurso na ONU porque ele vai precisar se equilibrar entre duas agendas que são, na verdade, contraditórias.
Uma é a agenda superlativa da campanha eleitoral. Por que superlativa? Porque ali vale tudo, quase. Campanhas eleitorais são declarações fortes, o antagonismo é muito forte. É muito importante para mobilizar o eleitorado, mas, ao mesmo tempo, ele é presidente do Brasil.
Nesse sentido, ele tem uma agenda conflitante que é a de tentar esfriar a crise com os Estados Unidos. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Para o colunista, o "Lula presidente" precisaria reduzir a temperatura para destravar a agenda comercial, num momento em que Brasil e Estados Unidos vivem o que ele chamou de pior crise bilateral em 200 anos, com impacto direto do "tarifaço" em setores da economia.
De um lado, o 'Lula presidente' precisa esfriar para conseguir destravar a agenda comercial. Do outro lado, o 'Lula candidato' se interessa por esquentar, porque o antagonismo contra o Trump gera energização na base eleitoral de Lula e do PT ao longo dessa campanha. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
Charleaux disse que, no palco da ONU, a saída pode ser vestir uma "roupa" mais institucional, com foco em multilateralismo - instâncias de decisão coletiva - e soberania em termos genéricos, sem entrar em ataques nominais ou referências diretas à eleição.
O mais interessante é falar sobre multilateralismo, que deve ser a marca do discurso dele, e soberania em termos mais genéricos. Sem citar o Trump, eleições e os Estados Unidos. João Paulo Charleaux, colunista do UOL
O colunista Mano Ferreira avaliou que Lula tende a tentar conciliar esses vetores projetando a imagem de "estadista" e transformando a presença em fóruns internacionais em um ativo político interno, como contraste com a família Bolsonaro.
Eu arriscaria dizer que ele deve buscar conciliar essas tendências projetando a imagem de um estadista, de uma forma que projete sobre o seu eleitorado algum tipo de orgulho nacional. Mano Ferreira, colunista do UOL
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