No sudeste da Turquia, enormes pilares de pedra decorados com animais foram erguidos há mais de 11.000 anos, antes do surgimento de muitas sociedades agrícolas plenamente estabelecidas, obrigando arqueólogos a repensar parte da história das primeiras construções monumentais
Pilares monumentais erguidos por comunidades pré-históricas revelam organização coletiva e simbolismo complexo durante a transição para o Neolítico
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Erguido no sudeste da atual Turquia entre aproximadamente 9.600 e 8.200 a.C., Göbekli Tepe reúne recintos monumentais construídos por comunidades de caçadores-coletores durante uma fase decisiva da transição para modos de vida mais sedentários. Seus pilares em forma de T, alguns com até 5,5 metros de altura, mostram que grandes projetos coletivos já existiam antes da consolidação plena da agricultura na região.
As estruturas mais antigas pertencem ao Neolítico Pré-Cerâmico e foram construídas por grupos que ainda dependiam fortemente da caça e da coleta. A imagem antiga de pequenos bandos nômades incapazes de organizar obras complexas precisou ser revista diante de recintos com enormes pilares de calcário extraídos e trabalhados localmente.
Alguns pilares centrais chegam a aproximadamente 5,5 metros e podem pesar muitas toneladas. A construção exigia planejamento, retirada dos monólitos da rocha, acabamento, transporte até os recintos e coordenação de várias pessoas, demonstrando organização social considerável mesmo sem cidades ou Estados conhecidos naquela época.
Os arqueólogos não encontraram máquinas ou animais de tração associados à construção. A interpretação mais plausível envolve ferramentas de pedra para extrair e modelar o calcário, combinadas com trabalho coletivo, cordas e soluções simples de transporte. O material necessário estava disponível relativamente perto das áreas de construção.
Este vídeo apresenta Göbekli Tepe, sua descoberta, os pilares monumentais e os debates arqueológicos sobre construção, simbolismo e o papel do sítio no início do Neolítico.
Raposa, javali, auroque, serpente, felinos, aves de rapina e escorpiões aparecem entre as figuras. Muitos animais são representados de maneira ameaçadora, enquanto certos pilares também exibem braços, mãos, cintos e outras características humanas, fortalecendo a interpretação de que as próprias estruturas em T poderiam representar figuras antropomórficas estilizadas.
Não existe, entretanto, uma tradução segura dessas imagens. Interpretações incluem identidade coletiva, ancestralidade, relações entre humanos e animais, morte e práticas rituais. Um estudo publicado em 2025 reforça que o simbolismo animal provavelmente integrava um sistema complexo de relações sociais e cosmológicas, mas não resolve definitivamente seu significado.
As primeiras escavações interpretaram o preenchimento dos edifícios monumentais como uma ação deliberada realizada depois que eles deixaram de ser utilizados. O material inclui fragmentos de calcário, ferramentas, restos de produção lítica e grande quantidade de ossos de animais.
A ideia de “enterramento ritual” continua influente, mas deve ser apresentada com cuidado. Diferentes edifícios passaram por reformas e episódios de preenchimento, e a intenção específica por trás de cada evento não pode ser reconstruída com certeza absoluta.
Essa formulação tornou o sítio famoso, mas é excessivamente simples.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.