Análise: Combate a facções dominará agenda externa do próximo governo
Uma eleição doméstica sempre é uma mensagem para os parceiros sobre novas posturas.
Seja quem for o vencedor no segundo turno do pleito brasileiro, a mensagem está dada: haverá mudanças na agenda externa do Brasil.
A vitória no Congresso (Câmara dos Deputados e Senado) dos aliados de Flávio Bolsonaro (PL) define uma alteração na maneira como o Brasil vai conduzir o seu jogo democrático interno.
E, mais do que tudo, estipula ao país a necessidade de uma pauta externa que seja virtuosa.
Especialmente em relação ao crime organizado transnacional de origem brasileira, que se tornou a maior obrigação do Planalto em relação aos vizinhos.
Leia Mais Flávio cita facções e diz ter recebido 2 mil ameaças de morte Chile afirma ter desmantelado primeira célula do PCC no país Operação contra o PCC prende 26 suspeitos na Bahia e em SP O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) são, hoje, os principais entes do crime organizado contemporâneo na região .
O país vai precisar construir mecanismos de concertação externa, participar de esquemas de enfrentamento às facções e ao tráfico de drogas e armas.
Pautas ambientais também estarão no radar, como o combate ao garimpo e o desmatamento ilegal, junto da grilagem de terras e praticamente todos os aspectos que afetam a Amazônia .
A floresta é um “espaço comum” com os vizinhos e, neste momento, está dominado pelo crime organizado — justamente por meio das facções de origem brasileira.
Mas, principalmente, a segurança pública se tornou o principal interesse da população .
E tendo em vista essa nova geometria entre Executivo e Legislativo, somada a vitórias expressivas de governadores de oposição, esse será o grande tema do Brasil na próxima gestão presidencial, independente do próximo governo eleito.
Crime organizado deve ser enfrentado com colaboração, não com força militar; veja análise | LIVE CNN *Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global.
Foi diretor de Projetos Especiais e de Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República.
Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.