Dados comportamentais ganham espaço nas decisões sobre funcionários e equipe
Empresas ampliam o uso de informações sobre perfis profissionais para apoiar contratações, promoções e mudanças internas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Durante décadas, decisões sobre pessoas foram tomadas principalmente a partir de currículos, entrevistas, avaliações de desempenho e da percepção dos gestores. Esses elementos continuam importantes, mas algumas empresas começam a acrescentar outra camada ao processo: informações sobre perfis comportamentais, motivações e formas de interação no trabalho.
O objetivo é compreender não apenas se o profissional possui conhecimento técnico para exercer uma função, mas também como tende a agir diante de mudanças, conflitos, cobranças e trabalhos em grupo. Esses dados podem ser considerados em contratações, promoções, reorganizações de equipes e preparação de novas lideranças.
A discussão ganha importância em um mercado no qual as competências exigidas mudam rapidamente. Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades consideradas essenciais deverão se transformar até 2030. A falta de profissionais qualificados já é apontada por 63% das empresas como a principal barreira para seus processos de transformação.
Nesse cenário, conhecer melhor os profissionais que já estão na organização pode ajudar as empresas a encontrar pessoas com potencial para assumir novas responsabilidades ou ocupar funções diferentes. “A pergunta sempre foi se alguém era um bom profissional . Hoje, também precisamos entender se essa pessoa está na função adequada, se combina com a dinâmica da equipe e de que forma responde ao estilo da liderança”, afirma Marco Sinicco, CEO da RH99, empresa de instrumentos digitais para avaliação psicológica organizacional.
Uma contratação tecnicamente correta nem sempre produz o resultado esperado. O profissional pode dominar as competências exigidas e, ainda assim, encontrar dificuldades para acompanhar o ritmo da equipe, trabalhar com autonomia ou responder à forma de comunicação do gestor.
O mesmo pode acontecer nas promoções. Um funcionário que apresenta bom desempenho individual não necessariamente está preparado para coordenar pessoas, administrar conflitos ou tomar decisões sob pressão. Sem informações estruturadas, essas incompatibilidades costumam aparecer somente depois da mudança de função.
Os dados comportamentais procuram antecipar parte dessa análise. Em vez de classificar alguém como apto ou inapto, o mapeamento identifica características que podem favorecer ou dificultar sua adaptação a determinado contexto.
“O perfil não deve funcionar como um rótulo. Ele indica tendências e ajuda o RH a formular perguntas melhores, mas precisa ser analisado junto com a experiência, as entregas e o momento profissional de cada pessoa”, explica Marco Sinicco.
A Baumer, indústria brasileira de equipamentos para a saúde, começou a utilizar dados comportamentais em agosto de 2025.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.