Casas Bahia: os sinais vermelhos que o mercado já identificava antes do pedido de RJ
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia pode ter pego alguns investidores de surpresa, mas quem acompanhava de perto o mercado de crédito já via sinais de estresse na varejista.
Uma análise detalhada do comportamento das debêntures da companhia e dos seus indicadores de caixa mostra que a deterioração financeira da companhia foi diagnosticada e precificada muito antes do pedido de RJ.
Entre o terceiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, os releases (comunicados de resultados) da Casas Bahia contaram uma história de desalavancagem, chegando a citar alavancagem de 0,5 vez o Ebitda (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado, e de um caixa livre recorde.
Leia também: Recessão a caminho? O que fazer com seu dinheiro se o temor do mercado se confirmar No entanto, segundo levantamento da plataforma Credit Guide, os dados contábeis enviados à CVM apontavam um patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões em 30 de junho, dívida líquida sem ajuste de R$ 5,74 bilhões e um prejuízo líquido de R$ 13,2 bilhões em 12 meses.
Nas contas gerenciais da companhia, esse mesmo prejuízo aparecia como R$ 2,65 bilhões.
“Métricas gerenciais não são mentira.
Elas dependem de definições escolhidas pela administração: o que é recorrente, o que entra na dívida, o que é juro e o que é custo da operação.
Quando essas definições são amplas e o negócio está sob estresse, o release continua parecendo saudável enquanto o balanço já mostra o contrário, sem que nada de irregular tenha acontecido”, diz o estudo.
O ponto central da divergência estava na forma como o fluxo de caixa era reportado.
O caixa operacional parecia robusto, em R$ 16,7 bilhões, porque a DFC (Demonstração de Fluxo de Caixa) oficial registra o aumento do saldo a pagar com fornecedores como entrada na operação, enquanto a quitação junto ao banco sai na linha de financiamento, como se fosse a amortização de um empréstimo.
A saída correspondente, de R$ 16,1 bilhões, não aparecia ao lado da entrada.
Ao devolver essa saída à operação, o Credit Guide revelou que a operação da Casas Bahia não gerou dinheiro: ela consumiu R$ 425 milhões em 12 meses, antes mesmo de capex e de qualquer juro da dívida.
Na mesma metodologia, o caixa livre de R$ 3,95 bilhões apresentado nos releases vira um consumo de R$ 622 milhões.
Essa matemática evidenciou que a empresa dependia quase que exclusivamente de rolagem de dívida para sobreviver.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.