Pediatras emitem alerta sobre uso de ‘canetas emagrecedoras’ por crianças e adolescentes
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiu um alerta nesta segunda-feira, 24, sobre o uso de medicamentos injetáveis à base de agonistas de GLP-1, que ficaram conhecidos como “canetas emagrecedoras” , por crianças e adolescentes.
Segundo a nota, a utilização sem indicação e acompanhamento médico pode trazer riscos à saúde, como déficit de crescimento , problemas no pâncreas e impactos para a autoimagem em uma população ainda em desenvolvimento.
A principal preocupação da entidade é com a utilização dessas medicações para fins estéticos, algo que é impróprio até para adultos.
Além de impactar na saúde mental , considerando que a pressão por padrões corporais pode desencadear ansiedade e depressão nos mais jovens, há o risco de exposição a medicamentos irregulares , como as versões paraguaias e manipuladas de forma inadequada.
A utilização indiscriminada dessas medicações pode elevar a possibilidade de eventos adversos em qualquer paciente, mas, no caso de crianças e adolescentes, outros riscos estão envolvidos.
Continua após a publicidade De acordo a SBP, eles podem apresentar déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação e distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular , pancreatite aguda , problemas na vesícula e desenvolver transtornos alimentares, como anorexia e bulimia .
“Esses medicamentos não podem ser utilizados simplesmente para modificar aparência corporal, nem para atingir padrões estéticos do ‘corpo ideal’ impostos pela sociedade.
Também não devem ser usados para perda rápida de peso antes de festas, viagens ou competições, nem para compensar erro alimentar ou sedentarismo”, explicou, em comunicado, Crésio Alves, presidente do departamento científico de Endocrinologia da SBP.
Continua após a publicidade Medicamentos liberados para crianças e adolescentes Essa classe de medicamentos não é vetada para crianças e adolescentes, como destaca a entidade.
Há três substâncias liberadas para o tratamento de diabetes tipo 2 em pacientes com mais de 10 anos (liraglutida e tirzepatida) e da obesidade na população com mais de 12 anos e mais de 60 kg (liraglutida e semaglutida) (veja detalhes abaixo).
Continua após a publicidade Porém, a indicação deve ser norteada por critérios individuais determinadas pelos médicos que acompanham a criança ou o adolescente.
“A evidência científica disponível demonstra eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados às intervenções sobre estilo de vida.
O problema que temos observado atualmente, principalmente nas redes sociais, não está no medicamento em si, mas na banalização”, diz o documento.
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